O Sul
Coluna* publicada no Jornal O Sul (RS), no dia 19/02/2012, por Lenio Streck.
* A postagem feita nesta página possui conteúdo ampliado em relação à coluna publicada no Jornal.
PÓS-MODERNIDADE : PALAVRA “ESCONDE” PALAVRA
Nestes tempos de fragmentação e de comunicação instantânea, tudo fica fluído. Fofo. Frágil. Vou repetir uma frase famosa: “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Acrescento: todas as notícias se esfumaçam. Outro dia li uma nota bombástica do Elio Gaspary (um canhão do jornalismo) sobre o Judiciário. Pensei: vão processar o Elio; vão responder a ele; alguma coisa vai acontecer. Pfss. No dia seguinte, novas notícias “taparam de cisco” aquela. Esconderam-na. Li sobre a dinheirama dos Estádios. Um bilhão para o Estádio de Brasilia, onde não há futebol. 900 milhões para o “futebol” de Cuiabá, etc. Pfss. Ministério do Turismo: desvio de 56 milhões. Pfsss. Tudo se desmancha. Perguntaram para Hannah Arendt por que os nazistas mataram tantos judeus e daquele modo. Ela respondeu: pela banalização do mal. Não há mais segredos. Se tudo é, nada é. Se o cotidiano é de denúncias, ocorre o paradoxo. O que é um paradoxo? É algo sobre o qual não podemos decidir. Decifrem essa: um barbeiro faz a barba de todos os que não fazem a própria barba. Quem faz a barba do barbeiro? Se ele a faz, não a faz; se não a faz, faz (desafio para os meus seguidores no Facebook). É como o paradoxo do mentiroso. Não há saída. Por isso, vou amainar meu brado de estocagem de comida. Se todos estocarem, ninguém estocará. Não sobrará comida. E nem indignação. PS: de tudo o que falei sobre a TAM na coluna passada, nem sequer o Fale com o Presidente mandou notícias… Tudo fluído. Nada fica em pé.
AS PALAVRAS…E AS COISAS…
Heidegger dizia: a linguagem é a casa do ser; nessa casa mora o homem; os poetas e os pensadores são os vigilantes (os curadores) dessa casa. É a linguagem alçada à condição de condição de possibilidade (não, não há erro: é a condição de condição, mesmo!). Eu não possuo a linguagem. É ela que me tem. Tudo o que sei é graças às palavras que sei. E tudo o que não sei é em face das palavras que ainda não sei. Por isso, o ser se vela e se desvela. O ser é sempre um ser do ente (Nada há com o ser, dizia Heidegger). Eis o enigma. Os fenômenos se manifestam. Exsurgem. Põem-se à mão (manu). Pela linguagem. Daí os dois teoremas: a diferença ontológica (ontologische Differenz) e o círculo hermenêutico (hermeneutische Zirkel). O ser é sempre o ser do ente (atenção: não é ser “doente”). O ente só é no seu ser. Por isso não há cisão entre ser e ente. E não há cisão-cesura entre palavra e coisa; entre fato e direito (isso desenvolvo há mais de dez anos no Hermenêutica Jurídica e(m) Crise). Daí a construção que fiz, colocando a relação texto-norma no contexto da diferença ontológica. Como diz Heidegger, o ser não pode ser visto; ele serve para dar sentido aos entes. Portanto, o ser não é um ente.
PRÉ-COMPREENSÃO
Seguidamente vejo a confusão que é feita, no campo jurídico, entre pré-compreensão e preconceitos, ideologia, vontades, desejos, etc. Pré-compreensão (Vorverständnis) não subjetividade ou subjetivismo. Os juristas – mormente os neoconstitucionalistas (ou aqueles que “descobriram” que o juiz não pode ser mais a boca-da-lei) – confundem essas duas questões. No Verdade e Consenso faço uma longa explicação. Remeto os seguidores do Face-Book para uma leitura no debate com Daniel Sarmento. Parcela dos juristas acha que a pré-compreensão da hermenêutica filosófica é a simples visão de mundo. Ora, isso acabaria com os pressupostos da hermenêutica. A superação do esquema sujeito-objeto implica compreender a pré-compreensão como estruturante. É uma espécie de razão hermenêutica, para usar uma ideia de Ernest Schnödelbach. As teoria da argumentação, quando apostam na discricionariedade e na ponderação como modo de resolver problemas de colisão de princípios, não conseguem entender essa problemática. Por isso, seus adeptos permanecem em um vetor de segundo nível, meramente apofântico (remeto os leitores para o Hermenêutica em Crise e o Verdade e Consenso – não são leituras fáceis). A pré-compreensão é anterior ao conhecimento. É algo que me antecipa. Quando alguém diz que interpreta de acordo com o método x ou y, lá já está o sentido antecipado. Há sempre uma Vorsicht, uma Vorgriff e uma Vorhabe (pré-ver, pré-ter e pré-conceito – que não é o preconceito vulgar, subjetivista, solipsista). Para fechar isso, que escrevo em homenagem aos seguidores do Face: um dos meus poetas preferidos, Manoel de Barros, diz: só posso falar sobre o que fiz depois que já fiz. Hermeneuticamente, eu digo: não me pergunto como eu compreendo, porque eu já compreendi. Compreender é um existencial. Isso não está a minha disposição. O jurista não procura as palavras. As palavras devem procurar o jurista. Elas devem desabrochar.
A REVOLUÇÃO DE 30
Nessa trilha pós-moderna, outro dia vi na TV o Peninha (Eduardo Bueno) em um spot anunciando programa sobre a Revolução de 1930. E dizia ele que a revolução foi daquelas que nada mudou ou mais ou menos isso. Ora, Vargas fundou o Estado brasileiro. E outros depois o afundaram. O que era o Brasil antes da revolução liberal de 30? Hein? Tudo fluído. Até a história se esfumaça. Vira troça.
AS METÁFORAS, A FRAGMENTAÇÃO CULTURAL E O PROCESSO DE “CHOLDREAÇÃO”
Descobri que o meu “bordão” “vou estocar comida” por vezes é mal compreendido. Trata-se de uma figura de estilo. É uma ironia mordaz. É como “queimar a carne” (um pouco da origem grega – Sarkázein). Tem gente que ou pega “ao pé da letra” ou não entende. Vou contratar um fâmulo, com a tarefa de ficar levantando placas quando falo: ironia, sarcasmo, risos, irritação…
OS NEOCHIBEIROS
Reportagem de O SUL sobre os “neochibeiros”. Do Paraguai para MAIAMI. Consta que um nativo de POA comprou cubas de pia para a cozinha por 30% do preço cobrado aqui e cadeiras de um designer francês por um quarto do valor. “Levo tudo na mala”, diz o chibeiro pós-moderno. Pergunto: como ele passa com isso na alfândega? Explico: parte da alfândega é terceirizada. Passa tudo. Abrimos as fronteiras. Comprem tudo lá fora. Tudo é fluído. Líquido. Os brasileiros acham bonito isso. Colocam tudo na mala. Como as cubas e as cadeiras francesas do nosso personagem gaúcho. Ou como o carrinho de bebê da advogada. Que ela trouxe na mala. E o imposto disso? A choldra quer saber. Esta, a choldra, não viaja a MAIAMI para fazer compras… E o que dizer do cara que compras roupas de grife no outlet e revende aqui pelo triplo? Vou estocar cubas, cadeiras francesas e tijolos para construir o meu bunker. Vou comprar tudo em MAIAMI. E trazer na mala. O caos é iminente. Inexorável. Inevitável. Corro ao supermercado. Retomo a coluna depois. Vá que o estouro ocorra antes…
O OVO DA SERPENTE – AS GREVES DO RIO, FORTALEZA E SALVADOR
Tudo pode. É proibido proibir. Pronto. Deram anistia para os bombeiros do Rio e gestaram as greves seguintes. Repito aqui uma frase do Bismark, no meio de uma crise: Deutschland ist kein Staat mehr (Alemanha não é mais um Estado). Ou seja, quando o Estado não “estatui” no momento apropriado, gesta o ovo da serpente. O que é o Estado? O Estado é o superego da sociedade. Interdita. Corta. Censura. Quando necessário, prende. Ele tem o monopólio da força. Sem ele, a liberdade se esfumaça. Ser leniente com fatos como o do Rio ou Bahia é dar um tiro no pé. Da democracia. Quando chegar a Olimpíada e a Copa, aguardem. Freud leu Hobbes. Mas nós nos apaixonamos por Rousseau. Mas quem era o “cara” era o Thomas. O Hobbes. Por isso, vou vender minhas ações da empresa “Rousseau Co.” e comprar ações na “Hobbes Inc.”. De quebra, vou comprar alguns crocodilos (em MAIAMI) e latões de azeite (português). E uma escavadeira para cavar ainda mais o fosso. Do meu bunker.
O SOBREVÔO DA RECEITA FEDERAL
Li que helicóptero da Receita está mapeando casas e aptos de maganos. Em Jurerê Internacional basta fotografar toda ela. O grau de injustiça será baixo. Por aqui, apartamentos de 6 a 10 milhões… Hum, hum. Gostaria de dar uma olhadinha no Imposto de Renda… Cinco minutinhos. Dia desse vi um adesivo em um carrão de 300 paus: “Chega de pagar tanto imposto”. É verdade…
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Coluna publicada no Jornal O Sul (RS), no dia 04/02/2012, por Lenio Streck.
A TAM E O SURREALISMO : SINTOMAS DE UM PAÍS AINDA NÃO CIVILIZADO
O que é um país civilizado? É quando o utente não necessita quebrar a cara do sujeito que o atende mal. É quando alguém que foi assaltado não necessita prender o assaltante e justiçá-lo. É quando os conflitos ficam institucionalizados e a resposta é efetiva. Os gregos sacaram bem através de Ésquilo, que escreveu a Orestéia. Para parar com a vingança, institucionalizaram um Tribunal. Pois no Brasil estamos longe disso. O consumidor é tratado a pontapés. Dia 27, tentei comprar uma passagem TAM. Bueno: o site não aceitava a senha. Fui ao telefone. Depois de a gravação me dizer que eu, por ser cartão vermelho, teria um tratamento especial, esperei. Quando chegou no minuto 42, peguei outro telefone e liguei para o “Fale com o Presidente”. Atendeu-me Aleteia (que, em grego, é des-velamento: A-Lethe). Não desvelou nada. Enrolou-me. Disse que era normal entre 30 e 40 minutos de espera. “Normal”. Ah, sim! Isso vem de norma. De nomos. De Lei. Hum, hum.
O SURREALISMO – PARTE DOIS : O ESTOQUE DE COMIDA AUMENTA
Aleteia ficou comigo 12 min. Passou-me protocolo (41957613). E desligamos. Enquanto isso, no outro telefone… quando cheguei em 1 h e 6 min, liguei de novo para o “Fale…”. Uma fraude! Atendeu-me Damaceno. Repeti a história. Tive que dar o nome de minha mãe. E ele não me deu a dele…! Ficamos 26 min… Não resolveu. Ele mesmo não conseguiu falar com o Call Center. Uau! Pois bem. Ao chegar em 1h e 36 min, desliguei. Liguei de novo para Damaceno. Sumiu. Atendeu-me Lucia. Disse-me que o atendimento estava em 3 ou 4 min de espera. Aleteia havia sido apenas “Letheia”, sem o “A”. Por instrução de Lucia, liguei de novo. E Lucia escutava o que o Call Center dizia. Eu com dois telefones. Um em cada mão. Patético. Mais 25 min. Quando fui atendido no “call” por Vanessa, esta disse que a senha não funcionava. A ligação foi transferida para o Multiplus, terceirização de pontos. Voltou para Vanessa e a ligação caiu. Enquanto isso, Lucia, do “Fale…”, acompanhava tudo. Como eu tinha um compromisso e já perdera mais de 2 horas, pedi a Lucia que resolvesse e me ligasse. Disse-me que não era permitido fazer ligações. Pronto. Fui ao supermercado, para estocar comida. O caos já está aí. Não tem saída. Nem o aeroporto é saída. Estamos transformando o país em uma grande “picaretagem”. Sem limites. E sem o cumprimento da lei. Aliás, a lei diz que a espera não pode ser mais de 1 min. Com a palavra, o Presidente da TAM. Que deve se divertir com idiotas como eu, que insistem em viajar com os aviões dele. Quando minhas milhas (que são milhares) terminarem, vou de ônibus. Ou de Azul. Indignemo-nos!
A FALTA DE LIMITES
A falta de limites (a Lei) pode fragilizar mais ainda o país. Paremos de brincar. Presos perigosos (p.ex., Beira Mar) recebem 3 dias de remissão para cada livro que lêem. Tudo é permitido. Esquecemos Hobbes e reverenciamos Rousseau. Ninguém é responsável. Tudo é culpa do “sistema” ou da “estrutura”. Freud leu Hobbes. E sacou bem “a lei enquanto interdição”. Mas, nós, não! Temos dúvidas se devemos tirar o usuário de crack das ruas. Há gente que diz que ele tem o direito de ir e vir. Quem, cara pálida? Um zumbi? E os efeitos colaterais dessa “freedom” do zumbi crackólogo? Um monte de ONG’s saca grana da viúva. Quem cuida da seca no nordeste são os oligarcas. E das enchentes? Outros oligarcas. Saímos do medievo (embora no Brasil não tenha havido), mas o modelo medieval, pré-moderno, não saiu de nós. Estamentos se protegem. O sujeito recebe 1 milhão do Tribunal e diz que “tudo está conforme a lei”. Fracassamos. O direito fracassou. Ainda separamos “direito e moral”. Viva o século XIX.
QUE FEIO ISSO…
Usando a Lei, deveríamos poder intervir nisso tudo. Castigar as empresas que lesam os consumidores. Prender os malfeitores. Mostrar o limite. E intimidar aqueles que querem fazer “mal feitos”. Mas, se o direito tem apenas um efeito simbólico, se ele só serve para dizer “como isso é feio”, é porque perdemos o trem. Ora, se um deputado leva sua namorada por conta da viúva para Paris e diz que “isso pode ser imoral, mas é legal”, devemos fechar as faculdades de direito… Se o direito não tem esse grau de autonomia para resolver essas “imoralidades”, por que e para o quê ele existe?
UM NOVO PARADIGMA DE DIREITO É POSSÍVEL
Minha trajetória inicia com uma fase marxiana, seguida por uma viragem analítica para, depois, estabelecer as bases para a desconstrução da dogmática jurídica a partir da hermenêutica filosófica. Após o Hermenêutica Jurídica e(m) Crise, hoje na décima edição, surge a necessidade de resolver o problema da aplicação do direito. Eis, então, que surge a fase IV na minha vida: o Verdade e Consenso.
O QUE QUER DIZER “IR ALÉM DOS DUALISMOS”? POR QUE O DIREITO MUDOU?
Sempre tive claro, desde o início da “fase III”, que a compreensão hermenêutica tem como ponto fulcral o ir além das perspectivas subjetivistas-objetivistas que ainda dominam a interpretação do direito. Embora os juristas não admitam, o que ocorre é que, ao defenderem posturas ainda ligadas aos conceitos tradicionais como “fontes sociais”, “discricionariedade”, “moral”, “livre apreciação da prova” ,“livre convencimento”, “ponderação” etc., eles estão, na verdade, ligados ao velho problema decorrente do esquema sujeito-objeto. Veja-se: enquanto ainda se acredita na distinção estrutural entre regra e princípio, e que, portanto, é a regra que é “fechada”, com clara “determinação finalística”, e que os princípios (apenas) otimizam ou abrem a interpretação (a critério da subjetividade do intérprete) etc., basta um correr d’olhos para percebermos o contrário.
UMA NOVA CONCEPÇÃO DE PRINCÍPIO
Na verdade, para uma análise do “conceito” de princípio, é fundamental que se adentre no mundo prático (faticidade-existencialidade) que forjou o paradigma do Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, é necessário examinar as virtudes soberanas que (sub)jazem ao texto constitucional e à densa principiologia passível de ser extraída desse elo conteudístico com função de ligar política, moral e direito. O Brasil é uma República que visa a erradicar a pobreza, garantir a justa distribuição de riqueza, diminuir as desigualdades sociais e regionais, promover os “valores” éticos por intermédio dos meios de comunicação (concessão pública), evitar discriminações, etc. Portanto, isso quer dizer que cada texto jurídico-normativo (regra/preceito) não pode se colocar na contramão desse desiderato, digamos assim, virtuoso, propagado pelo texto que explicita o contrato social: a Constituição. É fácil concluir que não queremos uma República em que a vigarice seja a regra e que achemos absolutamente normal (e por que não, legal – sic) o aproveitamento das benesses originárias do espaço público, dando razão assim aquilo que Raymundo Faoro denunciava de há muito: o Brasil é, ainda, em muitos aspectos, pré-moderno, isto é, uma sociedade sustentada nos estamentos e nos privilégios daí decorrentes.
PARA ENTENDERMOS AS RAZÕES PELAS QUAIS O DIREITO NÃO DEVE SERVIR APENAS PARA FICARMOS OLHANDO DE FORA E PROTESTAR…
Vejamos alguns episódios, que se enquadram nisso que chamo de “o-direito-não-deve-servir-apenas-para-dizer-que-feio-é-isso”…! Há algum tempo – lembram-se disso? – parlamentares (deputados e senadores) utilizaram suas cotas de passagens aéreas para levar familiares e amigos, a maioria em caras passagens em classe executiva (ou primeira classe), a passeios nos Estados Unidos e Europa. Até o Ciro Gomes parece que entrou nessa. Quais foram os argumentos de todos os utentes desses privilégios? “Fizemos tudo de acordo com a legislação (leis, decretos, portarias, etc.)”. Esgrimiam o “novo regramento”, feito depois dos escândalos de março/2009, que “legalizou” (sic) as viagens de parentes dos parlamentares com dinheiro público. Para ser fiel ao texto: a nova regra diz que “o benefício pode ser utilizado pelo próprio parlamentar, a mulher ou marido, seus dependentes legais e assessores em situações relacionadas à atividade parlamentar”. Incrível: as próprias glosas feitas pelo Tribunal de Contas da União apenas apontam para os utentes que usufruíram das benesses “fora das autorizações legais” (sic). Isso ocorre em diversos setores governamentais, como, por exemplo, o caso de uma empresa estatal que concedeu auxílio a uma ONG para “organizar festas juninas” em 26 municípios da Bahia no valor de um milhão e quatrocentos mil reais, sendo que o dirigente da aludida organização não governamental longe está de ser alguém “não governamental” (sic). Ou as generosas doações feitas por empresas do Estado para desfiles de carnaval, ao mesmo tempo em que pessoas, afetadas pela dengue, são submetidas às mais vis humilhações, como, por exemplo, tomar soro em pé, porque não há sequer uma maca para o utente do SUS (a banalização dos privilégios esta mentais vai do pagamento de passagens aéreas aos familiares dos parlamentares até aos amigos dos edis – parentes, sogras, artistas, etc. –, passando por aluguel de jatos com as sobras mensais das passagens não utilizadas, sem considerar o pagamento de horas extras efetivamente não trabalhadas; até empregadas domésticas são pagas, “dentro das regras estatutárias”, pelos gabinetes parlamentares). Agora, bem recentemente, apurou-se que os Ministros andam para cima (literalmente) e para baixo com aviões da FAB. Em dez meses, meteram mais de 16 milhões “no pau”, como se diz na gíria da patuléia. Ministros não gostam de andar em aviões de carreira. Eu também não. Os bancos são apertados, o lanche é ruim… Os Ministros sabem disso. Isso que eles nem entram em filas nos aeroportos. Nosso Ministro da Justiça gastou mais de um milhão de reais em aviões. Mas por que devemos pagar para que, ao final de semana, suas excelência estroinem com a malta, viajando de jatinhos para suas belas casas? Por que não se mudam para Brasília? Argumento de todos: todas as viagens estão de acordo com a legislação…
PRINCÍPIOS COMO VIRTUDES SOBERANAS
A questão é saber se as virtudes soberanas previstas na Constituição “suportam” essa “legalidade” (mundo de regras que, se não permitem os ab-usos, também não os proíbe…, mandando às favas os princípios que regem o direito administrativo!). Mais ainda, quero saber como a dogmática jurídica – majoritária no campo administrativo-constitucional – lidará com essas dicotomias (contraposições) “regras-princípios”. Já sei a resposta. A pergunta é retórica. Na verdade, ao mesmo tempo em que se escrevem centenas de livros sobre o “papel dos princípios”, sustentando que “princípios são normas”, na prática, na cotidianidade, princípios são transformados em álibis teóricos ou mandados de otimização… A maior parte dos juristas ainda faz a distinção estrutural (na verdade, semântico-estrutural) “regra-princípio”. O resultado: caímos no panprincipiologismo. Princípios são valores, dizem. Que “valores” seriam estes? Bem, aqui permito remeter os leitores para o Verdade e Consenso. Não dá para explicar esse complexo fenômeno neste espaço.
O VELHO PROBLEMA “ISSO É IMORAL, MAS É LEGAL…”. E EU DIGO: E DAÍ?
Parece evidente que todos esses ab-usos acima relatados não resistem (não resistiriam) à parametricidade principiológico-constitucional. Regras “fecham” e princípios “abrem”? Não acredito nisso. De todo modo, parece que o ponto de estofo do problema reside na seguinte questão: em nome de um conjunto de regras, praticam-se as maiores ilegalidades há décadas, sem que esse “mundo de suficiências ônticas” – representado por um cipoal de regulamentos, portarias, subportarias e pareceres interpretativos (sic) – tenha sido colonizado/invadido pelo mundo prático dos princípios. Não houve, pois, um “princípio turn” no campo do direito administrativo. A permanência de regras dessa má estirpe faz com que se pense que, de fato, não há qualquer força normativa nos princípios…! E que o enunciado “O Brasil é uma República” é vazio de conteúdo. Afinal, o que é uma República?
NOVO LIVRO QUE VEM AÍ
Está no prelo e deve sair em março, o livro O QUE É ISTO – AS GARANTIAS PROCESSUAIS-PENAIS?, que escrevo em parceria com o Rafael Tomaz de Oliveira, que faz doutorado comigo na Unisinos. Nele, alguns desses pontos são debatidos. Também está em gestação um livro da coleção O QUE É ISTO, em parceria com o André Karam Trindade. É sobre o Constitucionalismo. E, em alguns meses, deve sair um em parceria com Georges Abboud, sobre Precedentes Judiciais. Ainda: outro dia, li, em primeira mão, artigo escrito por André Karam Trindade e Fausto Morais, tratando da teoria hermenêutica que desenvolvi. Deve sair em breve também.
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Coluna publicada no Jornal O Sul (RS), no dia 21/01/2012, por Lenio Streck.
A LINGUAGEM DOS REPÓRTERES DE TV
Volto a um tema que já tratei há algum tempo. Dias destes, vi um programa de esportes na TV. Tratava de um time de futebol do interior. O repórter, como qualquer do seu meio, parece não saber apresentar a notícia sem fazer “metáfora”, alguma “gracinha” ou usar linguagem em duplo sentido. Muito engraçado. Não aguento. Atiro-me ao chão. Farfalho. Eles são pândegos. Galhofeiros (estou sendo sarcástico, é claro). Então o repórter queria dizer que o time X disputaria o campeonato a galope. E o que ele mostrou? O técnico do time em cima… de um cavalo. Ah, ah. E um galope. Uau. Que metáfora… Mas, pergunto: se é metáfora, por que, para mostrá-la, é necessário ser isomórfico, isto é, “colar” palavras e coisas? Explicando melhor: uma metáfora serve para explicar coisas que as pessoas poderiam não entender… Pensem na Bíblia, rica em metáforas. Agora, se para “metaforizar” é preciso “mostrar” a “própria” metáfora, ou seja, “demonstrá-la”, já não se está mais em face de uma metáfora. Imaginem o repórter contando a Bíblia: “então Jesus contou a parábola do filho pródigo…” E a imagem mostra um filho voltando para os braços do pai… Tenho frouxos de riso. Vou estocar imagens de “metáforas”. Tenho certeza de que, no futuro, será artigo raro.
METÁFORAS, METONÍMIAS E ISOMORFIAS: A SÍNDROME HOMER SIMPSON
Quando quero dizer que “um time joga por música”, não preciso mostrar uma orquestra. Para dizer que “fulano está por cima da carne seca”, não é necessário mostrar um gaúcho sapateando no charque! Por tudo isso, vou estocar carne seca! E vou estocar mais sarcasmo! Incrivelmente, a TV criou um “método” pelo qual o telespectador é tomado por débil mental. Para a TV, as pessoas não pensam. Tem que “pensar por elas”. Daí que a “ideia” deve vir “pronta”. Para falar da enchente, o repórter tem que ficar com água pelo pescoço. O trigo está subindo de preço… Onde está o repórter? No meio de um trigal, é claro! Socorro, faculdades de jornalismo. Quem inventou esse “método”? Ora, o que nos coloca no mundo é a metáfora. Entre o significante e o significado se faz uma barra (que pode ser chamada de metáfora). Lembremos, aqui, de Saussure e Lacan – para dizer o mínimo, sem sofisticar a questão. Se eu digo que tenho uma bomba, você não precisa se atirar no chão. Bomba não é “bomba” (“em si”). Trago comigo apenas uma notícia bombástica… Dá para perceber? As palavras não carregam a essência das coisas. No Nilo não está a água do rio Nilo… (fosse na TV, o repórter, ao dizer essa frase, estaria mostrando… o rio Nilo; fosse na Globo, lá estaria Zeca Camargo em um barco, para mostrar a água do Nilo).
PALAVRAS E COISAS I
Desde os sofistas que sabemos que palavras e coisas não estão “coladas”. Na palavra “rosa” não está o perfume da flor… No Nilo não está a água do rio Nilo; a palavra estupro não “carrega” a essência de “estuprez”. Nos últimos anos, a TV ingressa perigosamente nesse caminho, digamos assim, “pré-sofístico”. Imagem é tudo. Sede não é nada… Lembram? Porque imagem é tudo não se consegue falar das mensalidades escolares sem colocar a imagem da escola, de uma mãe segurando um carnê e um moleque escrevendo em uma mesinha… Uhlalá! Nada mais surpreende. A Globo tentou ensinar filosofia no Fantástico. E a dublé de repórter-filósofa, para ensinar o Mito da Caverna, teve que entrar… onde? Em uma caverna. É demais. Depois ela subiu em um caminhão em movimento, para ensinar… o quê? O movimento da tese heraclitiana. Fico pensando como a filósofa mostraria a Navalha de Ockan… Ela, com uma navalha, fazendo a barba de alguém? Como seria imagem do Cogito? Um ator interpretando Descartes, tomando cerveja em Ulm, na Alemanha? Ou, ainda: de que modo seria uma reportagem sobre o bunga bunga do Berlusconi? Larguei. Vou estocar palavras. Podem vir a faltar.
PALAVRAS E COISA II – HÁ SEMPRE ALGO INACESSÍVEL E ISSO É INCONTORNÁVEL
Estamos condenados a interpretar. Quando a televisão insiste em “colar” palavra e coisas (imagens e palavras das quais a imagem fala), está negando a inexorabilidade da interpretação. Há um abismo entre palavras e coisas. Sempre estamos procurando fazer pontes para saltar por sobre essa cesura. Nessa intensa procura, há algo que é inacessível e isto parece incontornável. Ou algo que é incontornável e que, por isto, inacessível. Conteudística ou procedimentalmente, é essa incerteza que, consciente ou incosncientemente, move-nos em direção a essa longa travessia. E essa travessia somente é possível na e pela linguagem. Afinal, como bem disse Heidegger, Die Sprache ist das Haus des Seins; in das Haus wohnt der Mann (a linguagem é a casa do ser; nessa cara mora o homem). Não há um objeto do outro lado do abismo gnosiológico que nos “separa” das “coisas”. E tampouco há um sujeito – assujeitante – capaz de o fazer. Por isso, Stephan Georg é definitivo, ao bradar: kein Ding sei, wo das Wort gebricht. Que nenhuma coisa seja onde fracassa a palavra, ele diz. Onde falta a palavra, nenhuma coisa! A coisa é o que tem a necessidade da palavra para ser o que é. E é Hilde Domin que encerra o butim das palavras: Wort und Ding legen eng aufeinander; die gleiche Körperwärme bei Ding und Wort. Palavra e coisa jaziam juntas; tinham a mesma temperatura a coisa e a palavra…! Mas, acrescento eu, depois se separaram. Daí o trabalho que temos para des-velar esse mistério que existe desde a aurora da civilização. Talvez fazendo uma caminhada antimetafísica: diferenciando (e não cindindo) texto e norma, palavras e coisas, fato e direito…
Talvez tenhamos recebido o castigo de Sísifo; rolamos a pedra até o limite do logos apofântico e imediatamente fomos jogados de volta à nossa condição de possibilidade: o logos hermenêutico. Eis o castigo ou a glória: a de estarmos condenados a interpretar! Se um texto legal conseguisse abarcar todas as hipóteses de aplicação, seria uma lei perfeita. No fundo, é como se conseguíssemos fazer um mapa que se configurasse perfeitamente com o globo terrestre. Só que já não seria mais um mapa…!
FERNANDINHO BEIRA MAR E A ARTE DA GUERRA (O LIVRO)
Leio que, para reduzir penas, presos em presídios federais ganham bônus por leitura de livros. Pensei que era gozação (o governo adora estroinar com o povo). Os presídios estaduais são masmorras e, nos federais, há o incentivo para a literatura… Uau! No Paraná, o juiz concede até 4 dias de desconto da pena para quem, em até 12 dias, ler um livro e apresentar uma resenha. Beira Mar é um voraz leitor. Já leu até a “Arte da Guerra”. E, para cada livro lido, ganhou 3 dias de desconto da pena. Por enquanto, quem “corrige” as resenhas são os juízes. Hum, hum. Desconfio que, logo, haverá concurso para criar uma carreira nova: a de corretores de resenhas nos presídios. Isso é coisa dos intelectuais do Ministério da Justiça. Ou um projeto de alguma ONG. Os criminosos mais perigosos, traficantes, etc, estão se sofisticando com o incentivo à leitura. Não sabia que a simples leitura regenerava. Ora, estelionatários e corruptos sempre foram bons leitores…! O Brasil sempre na vanguarda…! O que foi que eu não entendi nisso?
“INTERNAUTAS”
Odeio a palavra “internauta”. Odeio gente que passa o dia twittando e “fazendo “bombar” “imagens”. Não tem o que fazer? Vá ler um livro. PS: o Ministério da Justiça avisa: faça como Fernandinho Beira Mar (meu sarcasmo atingiu o limite máximo): leia um livro a cada 3 dias. Pode pedir emprestado um dos livros destinados aos presos. Há pouco o governo comprou mais 816 títulos, inclusive O Pequeno Príncipe e a Arte da Guerra. É, guerra é guerra!
BIG BROTHER E A ASCENSÃO DA INSIGNIFICÂNCIA
O programa Big Brother é a prova de que a humanidade não deu certo. Fracassamos! Nesse ritmo, vamos voltar a andar de quatro. Depois que o P. Bial disse que o BBB era arte como Guimarães Rosa, corri ao supermercado para estocar comida. Mais: estou construindo um bunker. Com um fosso repleto de crocodilos. A cena de sexo sob as cobertas, vista por milhões de pessoas (e crianças), demonstra que o caos é inexorável. Eles “vêm vindo”… Os bárbaros vencerão. Já venceram. Multidões os seguirão. Como zumbis. É a ascensão da insignificância. E eu os receberei no meu bunker, com tanques de azeite fervente.
O QUE É MAIS IMBECIL? O BIG BROTHER OU “TODOS ESTÃO AQUI, MENOS LUIZA QUE…”
A humanidade regride dia a dia. Meu bunker está pronto. É uma construção sólida, com paredes de um metro de espessura, fosso repleto de crocodilos e cascavéis, com ponte movediça e canhões apontados para o horizonte. Também tenho uma catapulta. Esse aparato é para me resguardar contra essa choldra, essa massa ignara, essa turba de ignorantes que se deixa levar por coisas estúpidas como essa da frase “todos estão aqui, menos a Luiza, que está no Canadá”. E eu com isso, cara pálida. E eu com isso! Não enche meu saco. É claro que o “inventor” da peça publicitária não pensou nisso. Fora de contexto, a “coisa” estourou nas “redes”. Como é possível que milhões de IGNORAUTAS – essa nova classe de internautas ignorantes (ignorantes internautas) e idiotas – reproduzam essa bobagem? Ignorauta é todo aquele que faz “raciocínios pequeno-gnosiológicos”, ou seja, é um ignorante internauta. E não é “ignorante” de “ignorar”, “de não conhecer”… É ignorante de “inguinorante” (sic)! Trata-se de uma autêntica epidemia: um cantor metido a intelectual – de nome Lenine – abre um show e pergunta: “todos estão aqui, menos Luiza que… “. Uau. Que inteligente esse Lenine. Um pândego. Há que farfalhar. E ter frouxos de riso. Vejamos: todos estão aqui, menos… É profundo. Abissal. Ab grund (abissal em alemão). Façamos uma anamnese da frase: “Todos” significa “a totalidade”. “Aqui” quer dizer “há um lugar”. Lugar… locus…Hum, hum. Na sequência, vem a exceção: mas uma pessoa não veio. Quem seria? A plebe rude aguarda a definição… Quem não teria vindo? Onde está essa pessoa… Luiza não veio. Céus. Mas, por que ela não veio? E onde estaria o primeiro IGNORAUTA que começou essa “corrente”? Sim, porque alguém começou isso. Enfim, o que nos resta é estocar alimentos. O caos é inexorável. É isso. And I rest my case.
POR FAVOR, NÃO SEJA UM IGNORAUTA – MINHA CAMPANHA NACIONAL
Por que essa gente, ao invés de ficar clicando/reproduzindo asneiras (asneiras vem de asno), não lê um livro? Por que não faz algo de útil? Converse com a família, largue o computador. Desligue a internet por alguns minutos. Essa nova classe social – os ignorautas – está formando um novo imaginário. E contaminam. Vamos a um restaurante e lá estão as criancinhas brincando na internet, enquanto pai e mãe, cada um, maneja o seu IPAD. Como explicar fenômenos como Michel Teló? Os culpados são os ignorautas. No seu email, não aceite links que reproduzam lixo. Não importa se o cara do Big Brother mostrou o traseiro. Por que você precisa ver isso? Ao clicar e abrir o link, você está se tornando um ignorauta. Esta é uma campanha nacional: não seja um ignorauta. Você pode mais do que isso! Passe adiante (pode ser via internet – é por uma boa causa).
NÃO TENHO “TUITER”, MAS DOU SUGESTÕES DE FRASES DE ATÉ 140 CARACTERES
Como não tenho twitter, deixo já, aqui, um enunciado (que pode se transformar em um “enunciado performativo”), para combater essa ascensão da insignificância (não me canso de homenagear Warat e Castoriadis).
“Luiza não está aqui: a frase estopim da estupidez brasileira. Não façamos mais isso. Não seja um ignorante internauta”.
Se não der certo, aproveitemos a frase “famosa”. Fica mais ou menos assim:
“Todos estão twittando bobagens como ‘Luiza…’, menos eu, que estou lendo um livro”.
Ou, quem sabe:
“Se até Fernandinho Beira Mar lê livros e recebe desconto de pena por isso, qual é a razão de ficarmos reproduzindo bobagens no twiter? ” Pronto: foram apenas 138 caracteres.
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A LEI, A INTERDIÇÃO E OS LIMITES
Coluna publicada no Jornal O Sul (RS), no dia 10/01/2012, por Lenio Streck.
A CHACINA PROVOCADA PELA MODELO NA NOITE DE ANO NOVO
Retorno ao Brasil. Polêmica. O caso do vereador e da moça-modelo. Os fatos: os dois foram a uma festa. Beberam. Ele “passou” o carro para ela. Ela, sem habilitação, sai dirigindo a “la loca” e mata duas pessoas, além de ferir outra gravemente. Por incompetência (há fumus disso no ar), não foram feitos os exames de teor alcoólico na moça. Mas o médico e os policiais disseram que os sinais de embriaguez eram visíveis. Pedida a prisão do casal, o juiz a negou. Baseou-se na jurisprudência do STF, segundo a qual “a gravidade do crime não é motivo para decretar a prisão”. Fim do 1º. round!
A GRAVIDADE DO CRIME NÃO ‘’PRENDE POR SI SÓ”, MAS…
Pois bem. Resolvo colocar minha colher. Só para registro, quem me conhece, sabe que sou insuspeito para falar disso, face minhas posições garantidoras nos processos em que atuo há mais de 20 anos. Fui um dos que introduziu o “pai do garantismo”, Luigi Ferrajoli, no Brasil. A decisão do juiz, substancialmente, é equivocada. Ou poderia ter sido dada de outro modo. Com justificação na mesma jurisprudência. Acontece que, quando o STF diz que a “gravidade do crime não é motivo para prender”, na verdade, diz “a gravidade por si só” (aliás, justiça seja feita, o juiz diz a frase toda, incluindo o “por si”…). Desafio a que se encontre uma decisão do STF concedendo habeas corpus em um caso semelhante (com tais circunstâncias) ao da modelo. Ou seja, “gravidade do crime” é: ocorreram duas mortes e uma tentativa de morte. Isso, POR SI SÓ, não é motivo para prisão. Mas, e as circunstâncias? Ah, aí está o “busiles” da questão. A jurisprudência do STF não se “encaixa” no caso. Há “n” decisões do STF mantendo prisões em crimes graves. O que o STF examina são as circunstâncias… Ou seja, aquilo que NÃO É “O-POR-SI-SÓ”! Por exemplo, falta de habilitação, embriaguês (mesmo que constatada de modo “indireto”, a velocidade, etc). Ora, seria ingenuidade (para dizer pouco) pensar que, quando o STF afastou a gravidade como motivo/sustentáculo para prisão, tivesse dito “não mais se prendem pessoas que cometem crimes graves”. Uau! Hermenêutica não é um “jogo de cartas marcadas”. Quem sabe consultemos amiúde o que diz o STF?
A QUESTÃO DOS LIMITES OU “DE COMO PRENDER É, TAMBÉM, UM ATO CIVILIZATÓRIO”
Tem ainda uma segunda questão. Temos que discutir o tipo de sociedade que queremos. Uma sociedade com limites ou sem limites? Lembro-me de um caso ocorrido há alguns anos, em que um rapaz (de mais de 18) “namorou” uma menina desde os 10-11 anos e, quando ela tinha doze, foi processado por estupro. Ele foi absolvido (em 2º. Grau), sob o argumento de que, hoje, meninas “apreendem” essas coisas muito cedo, etc. Ora, antes de qualquer discussão, é preciso saber se queremos uma sociedade em que aceitamos pedófilos fazendo sexo com meninas que deviam estar brincado de bonecas ou queremos uma sociedade com limites? Meninas/mulheres são objetos? Na mesma linha: um país em que alguém dirige sem carteira depois de uma festa, apresenta sinais etílicos e espatifa dois carros, matando duas pessoas (vejam a foto de um dos carros) e não recebe uma resposta imediata do “sistema”… vai mal. Não que se tenha que “prender por prender” ou pegar um (ou dois) “chibo(s) expiatório(s)”. Trata-se, sim, de mostrar, dia a dia, que somos civilizados. E, como fazer isso? Basta pegarmos a própria jurisprudência do STF ou do STJ, lê-la com cuidado e aplicá-la. O Brasil tem, sim, mecanismos para prender “casos como a da modelo”. Sim, prender também é um ato civilizatório. Mas, talvez continuemos a dar razão ao camponês salvadorenho: La ley es como la serpiente; sólo pica a los descalzos (permito-me ser repetitivo). Talvez por isso haja tantos “choldréus descalços” engrossando a lista de mais de 500.000 presos. Mas o “andar de cima” resiste “bravamente”. Cacciola, com uma baita pena para cumprir, veio para uma festa natalina no RS… Que tal? Estoquemos nossa indignação! E estoquemos, ainda, decisões que mostrem o contrário do que disse o juiz do caso de Capão. Só no STF tem um monte. No STJ, então, nem se fala. Mas, nunca se sabe. Estoquemo-las. Podem vir a faltar!
AINDA O CASO DA MODELO, AGORA COMPARANDO COM O “CASO HIERRO” (BEIRA RIO)
Tumulto na saída de jogo dia 7 de dezembro. Quatro pessoas feridas. Três esfaqueadas. Hierro, líder de uma facção de torcida organizada, teve sua prisão decretada. Vejam: a gravidade do crime não prende por si só. Tenho a certeza que a juíza examinou todas as circunstâncias “alrededor”. E, por isso, prendeu-o. Ora, um sistema judiciário deve se pautar, como diz Dworkin (um de meus autores preferidos), pela coerência e pela integridade. E, como deixo claro em livro Verdade e Consenso (Saraiva, 2011), “o direito deve ter DNA”. Então: comparemos os dois casos. O “caso Hierro” versus o “caso da modelo”…
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O FUTEBOL, A EPISTEMOLOGIA E O PCdoB
Coluna publicada no Jornal O Sul, no dia 24/12/2011, por Lenio Streck.
A CARTA DO PCdoB AO KAMARADA KIM IL-SUNG – O COMUNISCO FAKE DO PCdoB
No Brasil as coisas são fake. O capitalismo é de fancaria, porque as (grandes) empresas dependem do BNDEs e do Estado (lato sensu – incentivos fiscais, renúncias, anistias etc.). A indústria automobilística é a que mais lucra no mundo. E cobra os maiores preços. E não coloca air bag. Mas põe chassis fraquinhos, fraquinhos. Os consumidores são desrespeitados pelo capitalismo de terrae brasilis. Disque 1, se você é trouxa; 2, Se for idiota; 3, se quiser voltar ao menu…! A indústria de carros não gosta dos consumidores. A GOL também não. A Câmara de Vereadores de POA também não gosta dos eleitores. Mas já estou misturando os assuntos. É que o espaço é curto. Queria mesmo dizer que, se o nosso capitalismo é fake, o “nosso comunismo” é ultrafake. Os Kamaradas (동무) do PCdoB dizem, em carta, que o Grande Lider Kim Jong Il, pai do Querido Lider Kim Il-Sung e pai do agora entronado Kim Il Sung (é de avô para neto!) são lutadores pelo socialismo e contra o imperialismo e pela “democracia de massas”. O que é isto, companheiro? A Coréia do Norte é exemplo de quê? Mesmo quem tem simpatia pela esquerda “perde os butiás do bolso” com essa “carta de solidariedade à tristeza do povo norte-coreano” pela morte do “querido líder”. Chamo a isto de “fator sniff” (é uma onomatopéia, gente). E as frases (da carta) sobre o Partido dos Trabalhadores da Coréia do Norte? O incrível é que isso “não pega” nos Kamaradas do PCdoB. Efeito “teflon”. São comunistas pós-modernos. Esperando Godot…! Por isso, estoco não só comida, mas também ideologia. Já está faltando. Ainda vão vender isso no black. A propósito: quem entregará a “carta” ao povo norte-coreano? Resposta simples: o povo norte-coreano é um-todo-unido-com-o-Partido (assim, com os hífens). São uma coisa só. São tão unidos que em alemão a palavra é Verschmelzung – “fundidos” ou “misturados” (hoje meu sarcasmo passou dos limites, eu confesso!). Dizer mais o quê?
(IN)SEGURANÇA E (I)MOBILIDADE URBANA
Andando pelas grandes cidades da Alemanha, vê-se que o trânsito flui. E quase não se vê guardas na rua. Nem bloquinhos em suas mãos. E lendo sobre a segurança pública, vê-se que na Alemanha as prisões funcionam (entendam o que quero dizer com isso, por favor!). Não são depósitos de presos e nem masmorras medievais (leiam a minha coluna anterior, por favor, para entenderem melhor a discussão). E não há progressão de regime (que não é ruim, mas, no Brasil, é usada para desovar presos, para não precisar investir; ou alguém acha que se concede progressão de regime por “questões humanitárias”? Na verdade, é um cálculo puramente econômico!). E também não há indultos (não que os indultos sejam um “mal em si”; ocorre que, no Brasil, os indultos obedecem a cálculos de econômica, para “fazer” novas vagas nos presídios). E também não se concedem habeas corpus porque não há vagas nos presídios (imaginemos um autor de assalto ou latrocínio que não pode ser preso por falta de vagas – há vários exemplos disso no Rio Grande do Sul, o que me motivou, em 2009, a representar ao Procurador-Geral da República pela Intervenção Federal no RS, que, aliás, até hoje não se pronunciou a respeito…!). E as leis são duras (para todos e não só para o “andar de baixo”). Ao contrário do que diz o Dr. Marivaldo (do Ministério da Justiça). Ele é contra “penas mais duras”. Diz que não adianta. Seria bom que o Dr. Marivaldo passasse algum tempo em países como a Alemanha. E poderia trazer junto com ele o Secretário da Imobilidade Urbana de Porto Alegre. Juntos, poderiam reavaliar alguns conceitos. Os dois poderiam dizer: sim, mas em países como a Alemanha, a coisa funciona. Concordo. Mas, vejam: você estão no Brasil. Sejam criativos. E não se escondam atrás de jargões e frases de efeito do tipo “as prisões não regeneram; o problema é a impunidade” (de quem, cara pálida? Do andar de baixo ou do de cima?); ou, ainda, o trânsito não flui porque há carros demais…!). Indignemo-nos, os três (o Dr. Marivaldo, o Secretário e eu)! E vamos estocar ideias.
O FUTEBOL, AS “DUAS LINHAS DE QUATRO” E A EPISTEMOLOGIA
O jogo Santos e Barcelona acendeu a luz amarela da crônica esportiva. Dias e dias de flatus vocis (palavras ao vento). Incrível. Over dose de Neymar; over dose de “esquemas táticos”; over dose sobre a família dos jogadores. Até a cor das cuecas do Neymar mostraram. Gosto de futebol. Mas, por favor… Néscios de toda monta se metem a falar de coisas que são pura ficção. São os “neoepistemólogos” do futebol (na próxima coluna explico o que é “epistemologia”!). Oh, o técnico tal (chamado de “professor” – vejam o Roth é professor…!) joga com 3-6-1… Céus. E o Prof. Muricy? Jogou com três zagueiros fixos? Uau! Imagino os “três zagueiros fixos”…! Que “esquema”! E o pai do Neymar, o que acha disso? Pausa para ouvir o amigo de infância do primo do porteiro do prédio do… Neymar. Fulano, grita um neoepistemólogo cheio de gás, “qual é o esquema do Santos”? Seria melhor com duas linhas de quatro, acrescenta. E ficam horas falando sobre algo que qualquer jogador, com um drible ou um lançamento, acaba com a “teoria”. O Mazembe, que ganhou em 2010 do Internacional, que o diga. O “professor” Celso, o Roth(o), jogou com duas linhas de quatro… ou, sei lá, com 1-5-3-1…! Endeusam técnicos que nada mais são dos que motivadores. Ou personagens de livros de auto-ajuda. Ou alguém acredita que exista mesmo um “esquema tático”? Uma coisa é um jogador “ter posição”. Outra coisa é “matematizar” algo que é arte. Futebol é arte. Não há uma teoria sobre o futebol. Não dá para fazer epistemologia sobre o futebol. Pelo menos não é possível (epistemologizar o futebol) se se entender a epistemologia pelos modelos clássicos. Mas, quem vai entender isso? Se a maioria dos repórteres ou comentaristas tem dificuldade em fazer raciocínios abstratos e “fazer metáforas”, como exigir uma reflexão mais aprofundada sobre esse belo fenômeno artístico que é o futebol? Enfim… Os comentários sobre futebol não tem passado de flatus vocis. Sim, flatus vocis (para quem não sabe o sentido, recomendo ler Guilherme de Ockam, que não é um jogador vindo das categorias de base do Boca Junior, repatriado desde cedo para o Barcelona…!). Vou estocar imagens dos comentaristas da Sport TV…! E vender para o Monty Python.
FELIZ NATAL
Para todos os meus leitores, Feliz Natal e Grande 2012. E evitem o 8º. pecado, a ingratidão. Que feio é ser ingrato. Conheço muita gente assim. Pensem sempre na fábula do sapo e do escorpião. No meio do caminho, o escorpião não resiste…! Mas resistam aos “alacraus” (aracnídeos artrópodes)! Saludos!
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O GOVERNO
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), dia 10/11/2011.
A INFLAÇÃO PENAL E A “INDIGNAÇÃO” DO DR. MARIVALDO – I
Leio que o governo (leia-se o Secretário de Assuntos Legislativos do Min. Justiça, Marivaldo Pereira) está preocupado com a “inflação do direito penal”. Ele acha que tem projetos demais aumentando penas. Diz ele: “O ideal seria pôr na cadeia quem realmente representa ameaça à sociedade”. Hum, hum. O problema é saber o que ele entende por “ameaça à sociedade”. Por exemplo, estariam na sua lista de crimes-que-ameaçam-a-sociedade a lavagem de dinheiro, a sonegação de tributos e os crimes do colarinho branco em geral? Tudo indica que não. Desde o tempo do Min. Marcio T. Bastos que é assim. O que o Dr. Marivaldo omite é o fato de que os projetos que aumentam penas quase todos estão dirigidos ao “andar de baixo” (à patuleia).
A INFLAÇÃO PENAL E A “INDIGNAÇÃO” DO DR. MARIVALDO – II
Ninguém faz lei contra si, Marivaldo. E nem vem com esse papo de que não adianta prender, etc., e que as prisões não regeneram. Isso é velho. Primeiro, porque a pena não é para regenerar ninguém (só se no curso em que o Dr. Marivaldo estudou – suponho que ele seja da área jurídica – ainda ensinam essa baboseira); segundo, pena é castigo, retribuição e prevenção (para que outros não tentem fazer igual); terceiro, não adianta esvaziar prisões e depois colocar nas estatísticas que o crime está “baixando” (ou trocar a forma de cálculo, como espertamente fez e faz o Secretário Beltrame no Rio). O governo combate a criminalidade com propostas de esvaziamento dos presídios… E por quê? Porque assim ele não precisa investir. Quem disse que os presídios devem ser como as “masmorras medievais” (o epíteto é do Min. Peluso) como são? Hein? Quem disse isso? Ôh, Marivaldo: ninguém no mundo abriu mão da punição. Ou o Dr. Marivaldo é daqueles que acham que o crime é uma forma de acirramento da luta de classes? Sabem por que há tantos crimes de fraude à licitação? Por causa da institucionalização da corrupção, é verdade. Mas, fundamentalmente, também é assim porque esse crime pune com cesta básica… A punição é de fancaria. É uma pandeguice. O Dr. Marivaldo sabe quantos lavadores de dinheiro foram condenados desde 1998? Informo: 17. E nenhum está preso (mas, prender para quê, se as prisões são masmorras…). Gente como Marcos Valério jamais descobrirá isso. A prisão não foi feita para ele(s). Mais uma coisa: lavagem de dinheiro tem pena semelhante ao furto qualificado… De todo modo, não creio que algo vá mudar. Afinal, desculpem-me a “tresenésina” repetição: em terrae brasilis, “la ley es como la serpiente; sólo pica a los descalzos”! Vamos nos indignar, Marivaldo! Ou vamos estocar comida. Ou estocar “penas alternativas”… Que desaforo prender alguém do andar de cima…! Realmente, “há projetos demais”… (foi sarcasmo!).
TERRAS ESTRANGEIRAS
Os jornais dão conta de que estrangeiros estão aplicando o drible da vaca na legislação para comprar terras. São milhões de hectares comprados por chineses e outros que tais. O Brasil é a última grande fronteira agrícola. E os predadores vêm aí. A pergunta intrigante é: como essa gente registra a propriedade? E por que isso não é combatido com vigor? A máquina pública é pesadíssima. Quantas carreiras de advogado público existem? Não há no mundo uma máquina tão bem paga e tão sofisticada como a de terrae brasilis. E, mesmo assim, as terras vão sendo amealhadas por maganos de fora. Aliás, vamos ter uma equação interessante no futuro: grande parte do território já é das nações indígenas; outra parte será (já é) de estrangeiros. Restará aos nativos (não índios e não estrangeiros como nós) promover invasões dessas terras… Vem aí uma versão pós-moderna (pós-invasão chinesa e pós-índios) do MST.
O QUE VALE MAIS: O BOM SENSO OU A CONSTITUIÇÃO?
A nova Ministra do STF, Rosa Weber, diz que o “Direito é bom senso”. E eu digo: que coisa mais “senso comum”. Data venia (para não fugir do juridiquês), isso é frase para twitter e não para sabatina no Senado. Devemos esperar muito mais de um juiz do STF. E se a Ministra tiver que escolher entre a Constituição e o bom senso? O que ela escolherá? O seu bom senso? E que garantias tenho dele? Como diz um amigo meu, Deus me livre da bondade dos bons. Outra frase dela que não entendi: “se espera do juiz uma postura ética mais firme do que as dos demais cidadãos”! Pergunto: Juiz é super-homem? São frases como essas que tornam a justiça mais distante da população. Talvez por isso alguns Tribunais se chamem a si mesmos de “Cortes”. Talvez por causa de frases como a da nova ministra.
“PIMENTEL” NO DOS OUTROS…
Esse assunto de consultoria rende, não? Desculpem-me a chalaça, mas o “rende” rende mesmo. Palloci e Pimentel que o digam. E eu vou estocar o meu chalacismo, porque poderá faltar galhofa no futuro próximo. Ah: Brasil pára de crescer. E os comerciantes continuam a subir os preços. Vamos perguntar para Pallocci e Pimentel. Na dúvida, estoquem o que puderem.
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COLUNA DO JORNAL O SUL
Publicada em 26/11/2011, por Lenio Streck.
MENOS LETRAS NA COLUNA
Atendendo solicitação de Adroaldo Schiefelbein Streck (que é o mesmo Adroaldo M. Streck), passo a escrever menos texto e com letras maiores. Ele e outros leitores se queixam de letras muito miúdas. Menos letras, menos conteúdo; mas, mais qualidade de leitura. OK. Queria estocar espaços, mas não vai dar. O SUL pode ajudar nisso…!
O BRASIL E O “FATOR CIGARRA”
Leio nos jornais que o novo governo da Espanha terá que cortar entre 18 e 30 bilhões de euros em 2012 para cumprir o acordo com a UE. É muito? Se compararmos à farra dos gastos para a Copa do Mundo pelas “cigarras” brasileiras, é pouco. Se esse valor “salva” a Espanha, pergunto: por que um valor semelhante, que gastaremos em Estádios sem serventia (ou sem retorno), em lugares em que sequer há futebol, pode ser gasto com essa facilidade? Depois não nos queixemos. Mais: se considerarmos que 80 bi de reais saem pelo ralo da corrupção a cada ano (isso dá os 30 bi de euros da Espanha), parece que, de fato, estamos por cima da carne seca. Ah, as cigarras…! De todo modo, de nada adianta denunciar isso. Está tão difícil de escrever… O imaginário Hommer Simpson está crescendo.
O PRESIDENCIALISMO DE COALIZÃO ORÇAMENTARIA
O meu ex-aluno Ricardo Giuliani cunhou a expressão Presidencialismo de Coalizão Orçamentária (PCO). Tem razão. Veja-se: a Pres. Dilma vai liberar mais de 12 bi. Explico: pela primeira vez desde fevereiro, quando foi anunciado o pacote de ajuste fiscal, o Executivo desbloqueou verbas para gastos não obrigatórios – onde estão incluídas as famosas EMENDAS PARLAMENTARES. Para governar, tem que usar o “é dando que se recebe”. A Dilma não aguentou a pressão (ou chantagem) nem de sua base aliada. Lembremos do que falei acima da Espanha… E do fator “cigarra”. Cantamos, cantamos!
AINDA A IMPUNIDADE
O debate sobre “impunidade” no Brasil é de fancaria. Só há impunidade no “andar de cima”. No “andar de baixo”, o pau come solto. A choldra não escapa da lei. Os ergástulos são para a patuleia. Vejam as operações “Satira-agarra”, Castelo de Areia e Boi Barrica. É de farfalhar. Mais: nos últimos 10 anos, de mais de 600 projetos tratando do aumento de penas, apenas 7 trataram dos crimes do colarinho branco. O resto era para aumentar as penas dos crimes cometidos pelo “andar de baixo”. Os parlamentares estão estroinando com o povo. Assim tem sido. Assim é. E assim vai ser! Por isso, venho estocando comida. Atualmente, estoco sarcasmo. E guardarei meu sorriso irônico para o futuro. Larguei de mão.
FRASES GENIAIS
Passei a colecionar frases “geniais”. Ministro da Saúde: “O crack já é um epidemia” (Uau, eu não sabia…!). Secretário da Segurança do Rio: se o Rio não tivesse o tráfico, seria uma cidade sem violência (céus! E eu digo: se eu tivesse um milhão de dólares, eu seria rico). Secretário da (I)mobilidade Urbana de POA: o problema do trânsito de POA é o excesso de automóveis (então, vamos proibir essa gente de comprá-los, o pá!). Alguém da ANAC: os aeroportos estão com excesso de passageiros (e queria que fosse o quê? Excesso de vacas, cágados ou outros que tais?). Um jornalista esportivo: se o grêmio tivesse melhores jogadores, seria um time melhor… (e pagam para ele dizer isso!). Celso, o Roth(o): fulano não jogou porque ficou no banco (não diga, gênio do esporte bretão). Agora, a minha frase: se eu estocasse mais comida, eu teria um estoque maior de comida!
OS PERDIGOTOS, OS VEREADORES E A GOL
Para economizar espaço, escrevo tudo junto: os bípedes porto-alegrenses continuam a comer comida perdigotada. E os vereadores adoram perdigotos. E eu não voto em nenhum deles, se não proibirem os perdigotos. E a GOL maltrata seus passageiros. Cancela vôos (p.ex., dia 23, o das 9h para Curitiba) e não avisa. A GOL odeia os passageiros. Então: os vereadores não gostam dos porto-alegrenses e a GOL não gosta dos passageiros. E eu não gosto dos dois. Mas eu me indigno! Indignai-vos também. Estoquemos comida (sem perdigotos, é claro!).
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COLUNA DO JORNAL O SUL
Publicada em 12/11/2011, por Lenio Streck.
O DR. GOOGLE
Não há mais segredos. Estamos na pós-modernidade (seja lá o que quer dizer isso). Qualquer néscio sai por aí se dizendo palestrante. No ramo da autoajuda, então, nem se fala. Gosto dos “motivadores”. Hoje, com cinco minutos de Google, um néscio se transforma em gênio-motivador (seja lá o que for isso). Principalmente se tiver um PowerPoint. Adoro dizer “pauerpoint”! Se o sujeito não sabe o que dizer, usa o “Pauerpoint”. Com uma caneta a laser, vai lendo para a plateia – normalmente composta de proto-néscios – o que está no quadro. Pergunto: se é para ler o que está no “Pauer”, por que o sujeito não passa um e-mail antes? Steve Jobs tinha razão: quem não sabe, usa PowerPoint. Estão abusando da ferramenta. É o último refúgio dos que nada têm a dizer. Os alunos tentam enganar o professor. O professor engana os alunos. Os palestrantes enganam a plateia. O que isto tem a ver com o Google? Tudo. Lá é o “ninho”. O Google é um repositório de “conceitos sem coisas”. Coloquem no Google “cataratas do Iguaçu” e encontrarão “opero cataratas em clínica de olhos em Foz do Iguaçu”. Procurem “passagens para Paris” e ali estarão milhares de anúncios de agências vendendo passagens… Mas não encontrarão o que procuram. Assim como nas palestras de autoajuda e correlatos. Coloquem no Google “estocando comida”… e provavelmente alguém tentará lhes vender algum estoque de alguma coisa. E um “Pauerpoint”, para você(s) também se transformar(em) em palestrante(s). O Dr. Google é o “cara”.
SÍNDROME DE CARAMURU
Estou mais ácido. Leio que até bolsistas da Capes e CNPq que vão estudar no exterior passam a perna na viúva. A União está cobrando mais de 30 milhões de quem foi e não defendeu tese. O Brasil é incrível. Não se valoriza. Tem gente que sai daqui – com bolsa de 1.200 euros – para fazer doutorados – e pós-doutorados (2.000 euros) de fancaria. Tem universidade aí fora que não é melhor que a Faculdade (de Direito) de Ji-Paraná. Mas os brazucas lá estão. Por aqui, na América, alguns fazem pós-doc em Asunción. Mais: e doutorado na Argentina, nas férias. Quinze dias no verão, quinze dias no inverno… e, bingo. Há algum tempo vi um pedido de bolsa para doutorado no Líbano (em direito). Vi também pedidos de pós-doc para estudar o Estatuto da Criança e do Adolescente no interior da Espanha. Uau. Ainda: doutorado em direito para estudar a viabilidade de um Banco Central para o Mercosul. Onde o gajo queria estudar? Em Paris, é claro. Uns ganham a bolsa, outros não. O que fica é que a viúva brasileira é poderosa. Sofremos da síndrome de Caramuru ou Complexo de Vira-Lata. Temos hoje, em várias áreas, ensino de pós-graduação de primeiro mundo. Mas, mesmo assim, preferimos fazer um autodesdenho. PS: pós-doutorado já virou picaretagem.
UM POUCO DE FUTEBOL
Possuo cadeira no Grêmio. Pago em dia. Mas desde que Celso, o Roth(o) voltou, não fui mais ao estádio. Nego-me. Alguém que está perdendo um jogo e coloca mais um volante, é, na verdade, um néscio futebolístico. Ganha do Flamengo e logo perde para o Atlético. Brigou com o Miralles porque este não lhe prestou reverência. Na verdade, Celso, o Roth(o), brinca com o patrimônio gremista. Fosse ele administrador público, estaria respondendo processo por improbidade. Ou seja, malversação do patrimônio. Deixa no banco o Miralles e coloca o Clementino, Clementino (de Jesus)…! Para quem não entendeu a piada, digo: é para lembrar a música que tornou imortal o inesquecível Tiririca. PS: se o Cleber vier, será que Celso, o Roth(o), o escalará? Hum, hum.
CÂMARA DE VEREADORES
Da série: “qual é a serventia de um vereador”? Continuo na luta contra os perdigotos. O Antonio C. Baldi é meu fiel aliado nessa cruzada. Ele e eu formamos a bancada a favor da saúde dos porto-alegrenses. Os vereadores não gostam que a gente fale disso. O SINDIGOTO – Sindicato dos Perdigotos – é muito forte. Perdicotus salivaris… Você ainda almoçará em um Buffet repleto deles (dos perdigotus salivaris). E continuo estocando sarcasmo. Vai faltar!
TRÂNSITO – MENOS TALÃO (DE MULTAS) E MAIS GESTÃO
O trânsito passa por três crises: estrutural, funcional e individual. Há falta de ruas (estrutura), não há semáforos inteligentes (pelo menos esses seriam inteligentes! Ops – foi sarcasmo?), o que já é um problema de funcionalidade, e, fundamentalmente, há problemas de ordem individual, ou seja, de um lado, a péssima gestão da secretaria da (i)mobilidade urbana e, de outro, motoristas incompetentes. Há sinais que ficam fechados 2 minutos, enquanto a outra via está quase vazia… E ninguém vê isso. Gestão! É o que falta. Gargalos no mesmo lugar… Falta gestão. Menos “talão” e mais gestão! Vereadores poderiam ajudar, pois não? Mas, para que serve mesmo um vereador? (o que se salva é o proj. 1812-09, do Vendrúsculo). Indignai-vos. E estocai paciência. E ironia. E sarcasmo. E comida (sem perdigotos).
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COLUNA DO JORNAL O SUL
Publicada em 29/10/2011, por Lenio Streck.
RIO GRANDE – A VANGUARDA
Somos a vanguarda do Brasil. Perdemos a Copa das Confederações. Se deixarem que a Prefeitura (ou alguém desse jaez) cuide de duas tartarugas, uma delas fugirá e a outra engravidará. Provavelmente as duas tartarugas farão sexo no Dilúvio. Que, aliás, é o sintoma da pré-modernidade da Capital.
A IMOBILIDADE URBANA – UM PROBLEMA DE “TAUTOLOGIA”
Jornais “denunciam” o caos do trânsito. Rá, rá, rá (e mais um rá). Grande coisa. Há tempos venho falando disso. Todos os dias o caos ocorre nos mesmos lugares. E todos sabem disso. Até os paralelepípedos. E o gênio do Secretário da Imobilidade Urbana disse: o problema do trânsito é o excesso de automóveis. Uau. Que coisa, não? E pagam para ele dizer isso? A frase é do mesmo nível de uma do secretário da Insegurança do Rio: se o Rio não tivesse o tráfico de drogas, não seria uma cidade violenta. Gênio! E eu digo: se as autoridades fossem mais espertas e se cercassem de outras menos nécias, por certo as coisas públicas andariam melhor. Agora, além de comida, estou estocando sarcasmo. E ironia. Vai faltar no futuro. Como a inteligência. Mas sobrarão raciocínios tautológicos…!
O QUEIJO SUÍÇO E O CAOS DO TRÂNSITO (E DOS AEROPORTOS, E ETC.)
A resposta genial do secretário da Imobilidade de que “há carros demais” é como o paradoxo do queijo: o melhor queijo é o suíço; o queijo suíço é bom porque tem muitos furos; mais furos, melhor o queijo; mais furos, menos queijo; conclusão lógica: quanto menos queijo, melhor o queijo; no final, o melhor queijo é o queijo nenhum…! Logo, a solução para o trânsito é proibir as pessoas de comprarem carros. Isso, senhor Secretário. Esse é o ponto. Por isso, estou estocando furos de queijo…! Para ter o melhor queijo. E vou convidar as autoridades para um queijo “nenhum” (que é o melhor) com vinho. Do meu estoque. Com bastante ironia estocada em meu bunker, cercado pelas tartarugas que fugiram da prefeitura.
POR FALAR EM INCOMPETÊNCIA…
A Câmara de Vereadores (para que serve, mesmo, um vereador?) votou contra o Projeto que obrigava os restaurantes a protegerem os buffets dos perdigotos (pequenas gotículas de cuspe). A Câmara não gosta de nós. Ela é contra a saúde pública. Quando vierem pedir o seu voto, ofereça almoço com perdigotos. Parece que eles gostam. Ou, pelo menos, se não gostam, não conseguiram se livrar do lobbie dos restaurantes, que fê-los (fê-los é ótimo) votar contra o “projeto anti-perdigoto”. Vitória do SINDIGOTO – o sindicato dos perdigotos…
O NOVO CÓDIGO PENAL E A CORRUPÇÃO
Já não tenho paciência e estou estocando sarcasmo para falar desse assunto. Por ano, vai pelo ralo da corrupção a quantia de 85 bilhões. Dizem que, se juntarmos a sonegação, o valor anual sobe para 300 bilhões. E você, o que acha? Você é um trouxa. Os pobres são trouxas. Quando algum pobre é pego furtando galinhas ou praticando estelionato, a possibilidade de condenação chega a 96 por cento. Mas, se alguém sonegar tributos, esse percentual cai para 3,5. De 1998 para cá houve apenas 17 condenações por lavagem de dinheiro. Já nos casos de furtos e estelionatos, houve 175.000 casos. Diz o Min. Dipp, coordenador da reforma do Código Penal: as cadeias estão cheias; temos que apostar mais em penas alternativas…! Ah, bom. Penas alternativas para o andar de cima, é claro. Mas esse (o andar de cima) já tem isso. Na verdade, não há nenhum magano na prisão, senhor Ministro. O senhor sabe disso! Sua análise está errada. Vou estocar estatísticas. Podem vir a faltar no futuro. Como a ironia, o sarcasmo, o queijo com furos, os Porches e os ovos das tartarugas. Aquelas que copularam nas margens plácidas do Arroio Dilúvio. Essas tartarugas são mesmo despudoradas.
O MELHOR NEGÓCIO DO MUNDO
Não é um banco. ONG é coisa bem melhor. Não tem riscos. O risco é você ser pego, como é o caso dos camaradas do Ministério dos Esportes. Pode até não se provar muita coisa, mas só o aumento patrimonial de alguns integrantes… Hum, hum. Os tempos mudaram. Um bom comunista não deveria meter a mão na ONG. O bom comuna deveria ser contra ONG’s por princípio. Isso é coisa “pequeno-burguesa”. A propósito: por que razão um Laboratório dá milhares de reais para a campanha da Manoela? Sempre desconfiei que esse Laboratório era uma célula de esquerda…! E eu estou entrando com a papelada para construir a ONG “Vou Estocar Qualquer Coisa”. Desde que dê lucro. Gosto das ONG’s que ministram cursos… e aquelas que “integram jovens da periferia”. Há uma velha frase de Marx (o Grouxo), que dizia: onde há ONG’s, há fogo. Se não disse, azar. Mas é mais ou menos isso. E o pai dizia para o filho: “um dia você ainda vai ter uma ONG!” E lá “foi-se” o menino! Entenderam a “cacofonia”?
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE VIII
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 15/10/2011.
O “REBOLEICHON”, (ESS)A CHOLDRA CULTURAL E A “MULHER DO AVIÃO”
Dia destes, em voo, deparei-me com uma cena que demonstra as razões pelas quais a humanidade voltará a ter mais de 32 dentes, tornando-se focinhuda e ruminante. Em uma das poltronas, um casal com uma criança de uns dez meses. No banco de trás, uma mulher que inventou de conversar e brincar com a criança. Com certeza, achava que o neonato a entendia. E perguntava: tu danças o Reboleichon (como se escreve essa praga?)? Perguntava isso, fazendo gestos e cantarolando. E perturbava os demais passageiros (assim como aqueles que comem pipoca no cinema, torrando a paciência dos demais!). Sinal dos tempos. Nem quero falar da citada mulher. Falo do “rebolation” (sic?) e de seus adeptos, que se multiplicam feito ratos. Estão até no Rock in Rio. Sei que “essa coisa” não é da Ivete Sangalo (ela é “formadora” de opinião, hum, hum!). Mas, e daí? O que importa é que ela e um bando de proto-músicos disseminam essa sub-cultura feito pandemia. E vem aí o carnaval. E lá vem o axé music e suas derivações. Lá vem Claudia Leite. Lá vem o repórter da TV entrevistando os “famosos”. Por aqui já existe o tchê-music. Argh. Estoquemos comida! Atenção: antes que algum relativista ou multiculturalista de plantão diga que “gosto não se discute”, respondo: claro que se discute. Sob pena de termos fracassado como civilização. Se nós não conseguirmos dizer que Bizet, Mozart, C. Buarque, C. Veloso são melhores que qualquer coisa desse tipo (Ivete, C. Leite, Reboleiton, Luan Santana), é melhor desistirmos. E para aqueles que se contentam com o “critério da maioria”, lembro de uma frase escrita em um banheiro, em Buenos Aires, que aqui traduzo: “comam estrume; bilhões de moscas não podem estar equivocadas…!”
A PERDIGOTOCRACIA
O sindicato dos perdigotos mandou um abaixo assinado para esta coluna, reclamando de minha acidez no trato da matéria. Juntaram pareceres demonstrando que as nanogotículas (cuspe) não fazem mal à saúde. Segundo o Presidente do SINDIGOTO – um perdigoto bem nutrido, gel no cabelo (parece que circula nos melhores buffets da cidade) –, a Câmara andou bem em arquivar o projeto que os bania. Para mostrar o acerto da decisão, o refeitório da Câmara, por exemplo, aceita todo tipo de perdigoto. É a perdigotocracia se impondo. Todo poder a eles!
OS OPERÁRIOS DA ARENA DO GRÊMIO
Dia destes, o jornal The Guardian (Londres) disse que o Brasil tinha nichos de pré-modernidade. E colocou o Sarney na capa. Mas também poderia ter colocado os alojamentos da OAS na mesma capa. É medieval. Ou casagrande e senzala. Isso em 2011. Falta apenas o tronco para o chicoteamento dos patuleus. Do couro saem as correias. E os lucros dessa gente. Fizeram um aditivo de mais 65 milhões. E a choldra morre atravessando a rua. E vivem em condições sub humanas. No Rio, 1 bilhão para o Maracanã… a mesma coisa. Operários maltratados. La ley es como la serpiente; sólo pica a los descalzos. Esses operários não conseguem estocar comida. Mas espero que se indignem cada vez mais!
A SABATINA DAS CANDIDATAS A MINISTRA DO STF E MEUS SARCASMOS
Leio, pasmo, que há uma “comissão” formada pelo Ministro da Justiça, o Advogado-Geral da União e o secretário da Casa Civil (Beto Vasconcelos), selecionando candidatas para o STF. Dez foram entrevistadas. Quatro se destacaram. Fantástico. Ao invés de o Senado fazer a inquirição, quem faz é a troica Cardoso-Adams-Beto. Pronto. E tudo isso é bem de acordo com a Constituição (é sarcasmo). E quem se submete a isso? Quer dizer que a próxima Ministra tem de responder perguntas à troica? Faça-me o favor. Em terrae brasilis é assim: faz-se uma seleção prévia com perguntas e questionário (o que é patético), a Presidente indica e os senadores dormem na audiência. Ou aplaudem. Pronto! Habemus ministra! And I rest my case. And I stock up on a food (or I will keep foods)! PS: curiosidades: a) para a escolha do Min. Fux, não houve “comissão”; b) por que três homens para escolher uma mulher? Alô Ministra Iriny: sinto cheiro de discriminação (a Ministra deve estar ocupada com o comercial da Gisele Bündchen). E eu estou ocupado com meu sarcasmo. Estou estocando sarcasmo. Pode vir a faltar.
O CASO DO COMERCIAL DA LINGERIE (G. BÜNDCHEN)
Não existe isomorfia entre palavras e coisas. Se eu digo “fulano está por cima da carne seca”, não quero pensar que alguém imagine um sujeito sapateando no charque…! Pois a Ministra Iriny (Ministério das Mulheres) acredita no total “casamento” entre palavras, imagens e coisas (teoria representacional da linguagem). Ora, um comercial sempre é ambíguo. Joga com as imagens e as palavras. No caso, a personagem vestindo lingerie não acha que as mulheres sejam imbecis; e nem aposta que os homens sejam trouxas. Ora, pois. O comercial é mais esperto que uma leitura isomórfica, viu Ministra? Não se pode pegar as coisas “ao pé da letra”. Além do mais, letra não pé…!
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE VII
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 01/10/2011.
O FUNDO POÇO – A MARCA DO PATRIMONIALISMO OU “PORQUE EU SOU UM MAU FILHO”
Leio que, no Rio, desviam até a comida dos doentes de câncer nos hospitais. E enganam a “viúva” até na lavagem da roupa suja… É o fundo poço. Mas, de onde vem o exemplo se a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, em 3 minutos, com dois deputados presentes, 118 projetos? O leitor quer o quê? Picaretagem. É isso. Simulacro. Um deles, vejam, é Padre (pecador, pois não?). A filha do Roriz foi absolvida, mesmo com um DVD provando a corrupção. O menor salário do Senado é 10 mil. A maioria ganha mais de 15 mil. E ainda fazem horas extras. Dias destes, um juiz concedeu liminar para permitir que os funcionários que recebem mais de 26 mil possam continuar recebendo mais. O Senado sozinho custa mais do que todos os Tribunais Constitucionais da Europa juntos! O que nossos 3 senadores dizem disso? Dia destes, disse o Senador Paim em artigo jornalístico: precisamos recuperar nossa capacidade de indignação. Concordo, Senador. E como! Quero ver um discurso seu falando disso tudo. Como já disse: não sou moralista. Não quero uma sociedade de virtuosos. Vícios são necessários para o equilíbrio do meio ambiente ético-moral. Como na Fábula das Abelhas, vícios privados, benefícios públicos. O que acontece é que, entre nós, os vícios são públicos e os benefícios, privados. Ou vocês acham que essa história do bom filho (o Governador de Pernambuco) andar para cima e para baixo para eleger a sua mãe (a mãe dele) Ministra do TCU é uma atitude louvável? Louvados sejam todos os filhos da mãe gentil, pátria amada…! Aproveito para mandar um beijo para a minha, que não chama Ana, mas Wanda, para a qual não consegui um cargo público. Devo ser um mau filho. Hum, hum. PS: meu bunker está quase pronto!
ILUSÕES PERDIDAS – BALZAC, O PRIMEIRO ESTOCADOR DE COMIDA
Há algo mais no ar do que os aviões de carreira e da FAB. Tantas operações da polícia federal anuladas. Isso não pode ficar assim. Ou, de fato, as operações foram mal conduzidas e houve desrespeito à lei ou, como disseram os astronautas da Apolo 13, “Houston, we’ve Had a problem”…! Onde estaria(m) o(s) problema(s)? Na PF, no MP, no PJ de 1ª. Instância que defere as escutas telefônicas ou no STJ que as vem anulando? A patuléia quer saber. Por que somente a choldra é que se dana? Por que (só) o poltranato se dá bem? Operação Boi Barrica, hum, hum. Já se disse que “para as galés vão os gatunos que roubam galinhas à noite nos quintais, ao passo que mal ficam uns meses na prisão aqueles que arruínam famílias com falências fraudulentas; mas esses hipócritas sabem muito bem que, condenando o ladrão de galinhas, mantêm a barreira entre pobres e ricos, barreira que, derrubada, provocaria o fim da ordem social; ao passo que quem cometeu falência fraudulenta, o esperto usurpador de heranças e o banqueiro que destrói um negócio em proveito próprio, só estão fazendo com que a riqueza mude de mãos”. De quem é isso? De um indignado brasileiro? Não e não! São as palavras do Padre Herrera ao personagem Lucien, em Ilusões Perdidas, de Balzac, escrito por volta de 1840. O que mudou de lá para cá? Pouco. Diz-se que Balzac, junto com Victor Hugo e Zola, foram os primeiros estocadores de comida…!
OS PERDIGOTOS DE PORTO ALEGRE
A Câmara de Vereadores de Porto Alegre não quer o bem da saúde dos bípedes que habitam a cidade. Os vereadores são a favor dos perdigotos na comida. Perdigoto é “cuspe em forma de nanogotículas que expelimos quando falamos”. Perdigotos não têm classe social. Eles estão na Padre Chagas e nos bares “pé-sujo”. A diferença é que os perdigotos dos restaurantes da Padre Chagas usam gelzinho no cabelo (é um sarcasmo, certo?). Ou seja, lá também se come salada com perdigotos (rá, rá e rá). Os “buffets” da cidade não têm proteção contra essas nanogotículas (cuspe) que os frequentadores soltam falando em cima da comida. E a Câmara rejeitou (ou arquivou) o PROC. n. 0614-09 (PLCL n. 008-09), que bania os perdigotos. Estou em campanha contra os perdigotos. Eles são perigosos. Poderosos. Não como nada em restaurante que não tenha proteção contra perdigotos. Que tal lançarmos adesivos? Para quem tem carro importado, “perdigotos: out”; para twitteiros, “perdigoto: eu não curto”; para os radicais saudosos, “perdigoto: ame-o ou deixe-o”. E aos meus 15 fiéis leitores que tiverem carro, aqui vai a ideia: “estoco comida…sem perdigotos”. Outro: “perdigoto: eu me indigno”.
OS PREÇOS LOUCOS OU NOSSO CAPITALISMO DE FANCARIA
Temos muitos comerciantes que são capitalistas de araque. Querem se aproveitar desse momento de euforia. Buscam esfolar a malta. Almoço-jantar frugal a dois, sem vinho, R$ 100. Uma família na churrascaria, com caipirinha e cerveja, tem que fazer carnê. Os “japas” estão cobrando fortunas. Os bares dos Postos de gasolina vendem pastéis horríveis (todos eles compram de um mesmo fornecedor, só pode ser isso!, sem contar com as empadinhas que se esfarinham). É o monopólio do “pasteleiro-mor”. E as garagens: escândalo. Hotéis? Mais caros do mundo. Automóveis? Nos EUA, o mesmo automóvel custa menos da metade. Nossos carros populares são latas velhas. Air barg? Só para o motorista…! Mas vejam a cara do vendedor oferecendo uma “peça” dessas, “completíssima” (vem com espelho do lado direito – estou sendo sarcástico!), a “partir” de 29 mil… (mas esse não tem air-bag, é claro)! Quando a inflação tornar insuportável a economia, quero ver essa gente se virar. Muitos quebrarão, porque só sabem ser capitalistas de fancaria. Por isso sou precavido: estoco queijos e vinhos. Sem perdigotos, é claro!
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE VI
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 17/09/2011.
DA BANALIZAÇÃO DA NOTÍCIA À BANALIZAÇÃO DA CORRUPÇÃO
Quem não leu a coluna passada, não deve(ria) ler esta. Azar se não leu. A Fábula das Abelhas é condição para entender esta. Mas, vamos lá. Caderno especial da Folha de SP dá conta de que perdemos, por ano, 6 bi com o desvio de recursos federais. 40 bi entre os anos de 2002 e 2008. Acrescento que, somando a corrupção cotidiana – lembremos das operações SatiraAgarra (tenho frouxos de riso), a Máfia dos Sanguessugas, Castelo de Areia (que virou pó no STJ – rá, rá, rá) e mais três ou quatro destas – e teremos mais 20 bi. Somando os anos não contabilizados de 2009, 10 e 11, chegaremos a 80 bi. Coloquemos mais uns 15 bi que, inexoravelmente, será roubado com a Copa e dá 95 bi. Somando o que gastamos de máquina pública para combater esse poltranato (súcias de poltrões), passaremos fácil dos 125 bilhões. Vamos somar a isso a sonegação dos últimos 5 anos? OK. Então coloquemos mais 200 bi. Total: faça você as contas. By the way: você sabia que, somente em 2008, não foi declarada ao fisco uma receita de R$ 1,32 trilhão, o que dá 200 bi de desvio? Estamos brincando de cobrar impostos (e brincando de gastá-los). Não conseguimos pegar os criminosos do colarinho branco (onde se incluem os sonegadores). Em compensação, temos as leis mais benignas para o poltranato (claro que, para a patuléia, o pau pega). De 1998 para cá, apenas 17 condenações por lavagem de dinheiro… Que fase, não? Manchete dos jornais: custo da Copa corre o “risco” de explodir. Pergunto: no colo de quem, cara pálida?
OS NOSSOS VIGARISTAS E OS NOSSOS PREDADORES
Qual é a diferença do poltranato brasileiro dos congêneres alemães ou ingleses? Penso que nenhuma. Mas, então, onde está o busiles da questão? Resposta fácil: está nos predadores do poltranato. Exemplo: o pai da Steffi Graf (a tenista) sonegou tributos na Alemanha e foi algemado no aeroporto. Ruim isso? Pesado? É só uma informação. Assim, quando os fariseus brasileiros ruminarem contra a impunidade, é bom irem pensando. Se, em algum dia, aqui no Brasil a coisa for para valer, não sobrará pedra sobre pedra ou, melhor, as colunas sociais ficarão quase vazias… Poucos apartamentos de cobertura que valem cinco milhões suportarão uma investida do predador do tipo “germânico”… Punta Del Este, então… Calma. É tudo brincadeirinha. Como tudo é de fancaria mesmo por aqui, não se preocupem. Isso nunca vai pegar no Brasil. Nossos “predadores” não são nem de longe como os alemães. Sonegar ou lavar dinheiro por aqui é menos grave do que furtar. De uma vez por todas: vamos parar de falar contra a impunidade… Vá que um dia a coisa pegue…
O OVO DA SERPENTE
O Banco Central baixou os juros. Vai baixar mais. Pensam que a inflação está controlada. Os caras do BC não viram o filme O Ovo da Serpente, de Bergman. Não se lembram da inflação dos tempos do Sarney. Não lembram o desespero das pessoas. Apenas os ricos se dão bem na inflação. Mas não adianta falar. Tudo sobe. Da entrada do cinema ao estacionamento, passando pela alimentação. Streck (Adroaldo) e eu almoçamos frugalmente, com 3 refris: R$ 55 por cabeça. Uau. Uma água custa 4 reais. A neo-classe média se atira nas compras que nem pinto em lixo. Não há lugar nos restaurantes (que esfolam a gente). Alguns nem aceitam reservas. Estão “por cima da carne seca”. Dá-me “dos”, dizem os novos ricos (e endividados), imitando os argentinos de priscas eras. Eu compro pouco. Na verdade, o que compro é para fazer estoque. Estou construindo um bunker. Cercado por um fosso. Com jacarés. Como nos antigos castelos. Quando o caos chegar, nem vem que não tem.
A CHUSMA INDOLENTE E A ALIE-NAÇÃO
A alienação tem um componente paradoxal. Você nunca sabe que é um alienado. Pois, se souber, não é mais. Entendeu? Em um país de ignorantes (calma, não se ofenda; é no sentido de ignorare), é possível fazer publicidade dizendo “carro completíssimo a partir de 36 mil”. A partir? Mas não é completíssimo? Quem é o completo idiota, afinal? Extra, extra: Internet todo o dia, por 9,90… Mentira. Falsidade. Fraude. E não se faz nada. Compare o hambúrguer que você acabou de comprar com a foto que o anunciou. Veja a bela porcaria que vai comer. Somos um país fake! Por aqui, o festejado P. Bial diz que o Big Brother é tão importante quanto Guimarães Rosa. Pagamos 500 mil para a Betânia recitar poesia. A Disney On Ice, onde a patuléia nem chega perto, ganhou 10 milhões de patrocínio (Lei Roanet). Ali-é-NAÇÃO (diga bem devagarinho)! País onde Paulo Coelho já está vendendo fábulas ilustradas para crianças. Mas já não basta enganar os adultos? No Brasil, o primeiro tráfico de drogas dá substituição de pena. Por que será? Hum, hum. Indignai-vos. E… vocês sabem o que fazer.
INCOMPETÊNCIA
A (des)funcionalidade da Perimetral deve ser utilizada como aparelho para medir a (in)competência das autoridades municipais. O nível de poluição do Dilúvio, idem. Assim como o barro no acampamento farroupilha. Será um barrômetro?
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE V
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 03/09/2011.
AS ABELHAS, A VIRTUDE E OS VÍCIOS – FOMOS LONGE DEMAIS!
Bernard de Mandeville conta uma fábula genial. É bem liberal. Mas, para o Brasil, que ainda é pré-moderno, cai muito bem. Um país em que o capitalismo é de fancaria, onde todo mundo vive à custa do BNDES…; tudo é Estado; 85% das obras públicas contêm vícios; o Sen. Valadares arruma os dentes e manda a conta para a “viúva”: R$ 25.000,00; Eduardo Campos, gov. de Pernambuco, faz uma cruzada nacional para indicar a sua mãe, Ana, para Ministra do TCU; o Min. Negromonte diz que seus correligionários não têm curriculum, têm “folha corrida”; demitido pela Pres. Dilma por incompetência (ou mais ou menos isso), o ex-secretario do Min. da Agricultura, Milton Ortolon, recebeu a Ordem do Pacificador, concedida pelo Exército. Hum, hum. Bueno. Por tudo isso, trago a fábula das abelhas para mostrar que minhas críticas não são “moralistas”. Não quero um Brasil virtuoso. Quero apenas que os vícios não ultrapassem as virtudes. Conta-se que as abelhas viviam prosperamente em sua colméia. Tudo ia bem, até que um grupo de abelhas moralistas decidiu dar um fim aos vícios (corrupção era o menor deles!). Pediram que a Rainha decretasse a virtude. E assim se fez. Todos virtuosos. Bom? Não. Ruim. Sem vícios, a sociedade começou a ruir. Advogados ficaram sem trabalho, médicos sem pacientes, policiais ociosos… Fracasso total. As abelhas se reuniram e pediram à Rainha o restabelecimento dos vícios. MORAL DA HISTÓRIA: vícios privados, benefícios públicos. E então? Então que, no Brasil, pré-moderno, pré-liberal, ocorre o inverso: VICIOS PÚBLICOS, BENEFICIOS PRIVADOS. Entenderam, agora, a “questão Zé Dirceu”? O DENIT? A filha do Roriz? Os dentes do Senador? Está bem que os vícios são inexoráveis… mas, indago: precisavam exagerar? Indignai-vos! E estocar comida vai bem.
OS ESTAGIÁRIOS CONTROLADORES DE VÔOS DA INFRAERO: A ESTAGIARIOCRACIA
Respeito muito os estagiários. Valorosa classe. Ainda não assumiram o poder porque não estão bem organizados. Deveriam aderir à CUT. Em alguns anos, chegariam lá. Dia desses veremos os muros pichados com a frase: “TODO O PODER AOS ESTAGIÁRIOS”. Eles dão sentenças, fazem acórdãos, pareceres, prendem, soltam, elaboram contratos de licitação, revisam processos… Respeito profundamente os estagiários. Eles estão difusos na República. Jamais saberemos quantos são. E onde estão. Algum deles pode estar com você no elevador neste momento. Ou em uma audiência. Ou no Palácio do Governo. E pode estar controlando o seu vôo. Uau! A Infraero tem muitos estagiários. Torço para que eles sejam tão bons quantos os que estagiam no meu gabinete. Estagiários de todo mundo: uni-vos. E estocai comida. E indignai-vos face à exploração a que estão submetidos. Quando chegardes ao poder, por favor, poupem-me! Sou da “base aliada dos estagiários”. Mas não fico exigindo liberação de emendas parlamentares. Eu apoio sem chantagear! E não peço para a “base aliada” colocar minha mãe no TCU. E nem mando a conta do dentista. E não moro em hotel pago por um escritório de advocacia. E nem recebo o Presidente da Petrobrás no meu quarto. Aliás, nem o conheço.
CACCIOLA E O SINO: “POR QUE O MEU NÃO, DOUTOR”?
Saramago contava que, há mais de 400 anos, em Florença, numa pequena aldeia, os habitantes ouviram tocar o sino da igreja em uma determinada tarde. O sino só tocava aos domingos e quando alguém morria. Só que o toque era de finados. E não era domingo. Todos correram para saber: afinal, quem morrera? E lá estava um pobre camponês que dizia: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente; toquei porque a Justiça está morta”. E, então, o campônio fala das agruras que sofrera nas “mãos” da justiça de então…! Pois a soltura do Cacciola – esse é o “cara” – faz-me lembrar essa historinha. Vejam: na saída da cadeia ele foi vaiado. Fico imaginando a cena. Vejo cada familiar de preso tocando um sino, puxando a barra do terno Armany do advogado do Cacciola e dizendo: “Doutor, por que o meu não?”, “Doutor, por que o meu marido não recebeu esse tratamento?”. É, pois é. Ninguém que tivesse nome e figura de gente… Só o Cacciola saiu… Os demais ficaram no ergástulo. Na enxovia.
O TRÂNSITO E A GARÇA
O trânsito está um caos. Porto Alegre é um caos. A prefeitura não cuida do caos. A Perimetral é a única via “expressa” (rá, rá, rá e mais um rá) do mundo com 50 sinaleiras. Também é a única em que a pista central está vazia e as laterais entupidas. Dizem que os azulzinhos (já) usa(ra)m spray de pimenta. A população os teme. E os odeia. Manhã de segunda: chuva. Trânsito: inferno. E não se vê um deles. Onde estariam? By the way: o que estaria pior? O trânsito, a saúde ou a segurança? PS: lindo o Arroio Dilúvio, não? Cada vez mais sujo. Mas as margens estão com a grama aparadinha. É para o lixo aparecer melhor. Outro dia vi uma garça pedindo carona. Estava “deitando o cabelo” (isto é, as penas… sujas de barro). Desistiu, a coitada!
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE IV
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 20/08/2011.
INDIGNAÇÃO NO VAREJO E OMISSÃO NO ATACADO: O GÉRMEN DA ALIENAÇÃO
Ótima a repercussão da coluna anterior. O assunto dos presídios esteve no topo. Pois é. Quem lê tanta notícia? Notícia cobre notícia. Logo o assunto some. Aparece sempre um assunto pior. Deveríamos ter um aparelho que apitasse para nos avisar: não se esqueça de se indignar! Na verdade, indignamo-nos no varejo e nos omitimos no atacado. Ah: o alienado, o omisso, o idiota, é sempre “o outro”. O que descumpre a lei é “o outro”. Aliás, às vezes nos pegamos dizendo “e como diz o outro”…! A palavra “outro” vem do latim alienus. Daí a palavra “alienação”. Não sou eu o responsável: é sempre o “outro”. No cotidiano, diante de uma guerra de todos contra todos, que vai da violência de verdade até a violência simbólica produzida pelos ladrões da coisa pública, pelos proxenetas sociais, pelo valhacouto de pilantras, pela súcia de poltrões que tomam conta dos negócios públicos, o “cidadão” passa a bola para “o outro”. Ele “aliena a sua ação ao outro”. Por isso, uma pessoa alienada ALI-É-NADA (digam bem devagar, saboreando essa palavra). Entenderam? Sou indiferente aos alienados. Respeito, sim, os alienados mentais. Mas só estes. Saiam do varejo, pois! E indignai-vos!
A FALTA (OU A INEFICÁCIA) DOS PREDADORES I
A natureza é sábia. Caranchos comem os ovos das caturritas; mas também comem os filhotes das ovelhas. Quando os fazendeiros resolveram matar os caranchos, resolveram o problema das ovelhinhas. Só não contaram com a multiplicação das caturritas, que dizimaram plantações. Para combater a praga das caturras, tinham que derrubar os ninhos, colocar redes. Eram como gafanhotos. Pois bem. No meio ambiente ético-moral, quando os predadores falham, os corruptos proliferam. Na verdade, há sempre um nível aceitável de proxenetas sociais. Isso faz parte da, vamos dizer assim, “natureza da relação Estado-Sociedade”. Mas, no Brasil, esse nível de “extrativismo” atingiu índices insuportáveis. Claro: quando os predadores não agem ou agem mal, o meio-ambiente se degrada. Veja-se a conjunção de escândalos nas diversas esferas do Poder da República. Tinha razão Faoro: o Brasil ainda é pré-moderno. Há estamentos. É “puro” patrimonialismo. Pois é. Quando vejo a cara de pau da turma dos Ministérios (Turismo, Agricultura, Denit etc.), penso nas frases de Bismarck e Hegel (em contextos diferentes): Deustchland ist kein Staat mehr (a Alemanha – ops, o Brasil – não é mais um Estado). E penso no “poder das caturritas”. O que aconteceu com os nossos caranchos? Parece que os caranchos (as Instituições encarregadas de combater o crime e julgá-lo) só vêm conseguindo pegar “a raia miúda”. Por exemplo: onde estão as caturras (pragas) das Operações Temis, Castelo de Areia, Sati(r)agraha? Prende-se de forma espetacular e depois vira “tosa de porco”: muito grito e pouca lã. Agora mesmo descobriu-se um rombo de 1 bilhão de sonegação. Ah: sonegadores e lavadores de dinheiro são aqueles inúteis sociais que (geralmente) usam gel no cabelo e dão entrevistas para colunistas sociais. Se você se pergunta “quem compra” os apartamentos caros, os iates, as ilhas, a resposta está neles. Nessa gente que só usa perfumes oxítonos. A propósito: quem sonega 1 bilhão, tem pena igual ou inferior a quem furta um botijão de gás, à noite. Com a vantagem de poder parcelar em 120 parcelas. O grande “republicano” Marcos Valério que o diga. Por isso está solto! Graças às leis aprovadas por FHC e Lula. Claro, e pelos parlamentares que hoje vociferam contra a impunidade. Hum, hum. Já não me impressiono com nada disso. Na verdade, o nível de impunidade me dá frouxos de risos.
AS AMEAÇAS CONTRA DILMA OU “OS QUINTA COLUNAS DO GOVERNO”
Que coisa, não? Leio que parcela do “poltranato” que compõe parte da “base aliada” ameaçou a Pres. Dilma. Alguém do PTB gritou: “não vamos transformar o Brasil em uma delegacia de polícia”. Menos, caro edil. Manchete: o PMDB quer dar uma lição na Presidente. E a base do PT criticou a Policia Federal. Que tal? Onde se viu prender as pessoas? Com isso, está explicado porque a Lei 12.403 (a nova lei que facilita a soltura de presos) foi aprovada por unanimidade. Óbvio. Ninguém faz lei contra si mesmo…! Resta uma conclusão: há brasileiros de primeira e segunda classes. Foi o Lula quem disse, ao criticar a ação da PF: “os presos não são bandido qualquer” (sic). Ah, bom. E eu vou estocar comida!
BULIMIA E ANOREXIA INFORMACIONAIS
Ou seja, o Brasil é um país de bulímicos e anoréxicos. Quando uma informação é mastigada pelo vivente, volta em jorros de vômito ao mundo da alienação. Não temos apetite por informação. E, quando temos, vomitamos. Que sina!
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE III
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 06/08/2011.
ONDE COLOCAR OS 29 MIL PRESOS DO RS?
Esta é a manchete da semana nos jornais gaúchos. Pois bem. Falo disso de cadeira. No dia 14 de julho de 2009, atuando como Procurador de Justiça junto ao TJRS, pedi a Intervenção Federal no Estado. Fiz uma longa representação ao Procurador-Geral da República. Juntei DVD’s, dados, fotos, etc. Mostrei àquela excelsa autoridade a visão do inferno. E alertei: vai piorar. Invoquei os artigos da Constituição que autorizavam a Intervenção. E as vagas não aumentaram. A governadora Yeda mandou um ofício ao PGR, defendendo-se, dizendo que não era cabível a intervenção, porque estavam sendo construídos presídios. Já na época tive frouxos de riso… Na verdade, farfalhava.
ONDE COLOCAR OS PRESOS – PARTE II – AH, EU TINHA RAZÃO!
Fiz o pedido de Intervenção porque estavam sendo soltos acusados presos em flagrante por assalto (à mão armada). Em uma mesma semana, somente eu trabalhei em quatro casos desse tipo. Os réus foram soltos porque não havia vagas. Desde lá, quantos foram soltos por isso? Quantas pessoas foram mortas, assaltadas, estupradas por pessoas que não foram recolhidas porque não havia vagas? Hein? O Procurador-Geral não despachou até hoje o pedido. Tivesse sido feita a intervenção e já teríamos novos presídios. Com a intervenção, tudo corre(ria) rápido. E sem burocracia (e, provavelmente, com menos corrupção). Mas, na época, nem a Defensoria Pública e nem a OAB apoiaram meu pedido. O prejuízo da não construção dos presídios de lá para cá? Incalculável! Perguntem para os assaltados. E perguntem para os familiares dos presos que dormem amontoados e que sofrem com os achaques dos grupos dominantes do interior dos presídios. É. Pois é. Isso não dá voto. Por tudo isso, permito-me insistir: indignai-vos! E admitam: eu tinha razão. Basta folhear os jornais da época.
AINDA A QUESTÃO DOS PREÇOS EUA-BRASIL
Leio que no mercado há a oferta de BMW por 120 mil reais (U$ 75 mil). Nos EUA, você paga, pelo mesmo modelo, um terço do preço. Um Sonata sai aqui por mais de 70 mil dólares; nos EUA, por 21 mil. Hum, hum. E saímos por aí rodando, sem reclamar. Por que essa diferença? Será só por causa dos impostos?
O POVO, A SAÚDE E OS ESTÁDIOS – A CRIAÇÃO DO “PROSOCOR”
Sem pieguice. Mas tenho que contar. Ouvi no Rádio. Sujeito sofria de apnéia. Mas sofria mesmo. “Mal que nem um peixe”. Há dois anos conseguiu marcar uma consulta em Hospital. Ufa! Depois da consulta, mandaram-no, corretamente, fazer um exame daqueles que o sujeito passa a noite dormindo cheio de fios. Pasmem: está marcado para daqui há dois anos! Que tal? Bem que o paciente gostaria que parte do dinheiro investido nos Estádios de futebol para a Copa pudessem ser “desviados” para os Hospitais. Aliás, com tanta corrupção, que tal inventarmos uma nova modalidade? A corrupção da corrupção. Ou fazer um chamamento: corruptos, dêem uma função social ao que roubam. Poderíamos dar incentivo fiscal para que 10% do que for roubado retorne em benefícios sociais…! Imaginem a placa: este hospital foi construído com recursos advindo dos 30% da corrupção da obra X! Já posso ver adesivos em carrões: “Eu aderi ao PROSOCOR”. O que é PROSOCOR? Programa de Socialização da Corrupção. Que lhes parece? Agora vai!
CONSTRUINDO UM BUNKER PARA ESTOCAR MAIS COMIDA AINDA
A empresa de telefonia OI acredita mesmo na cultura. Que bom. Deu 300 mil para a neta do Lula fazer uma peça de Shakespeare. Mas, se o “investimento” foi via Lei Roanet, quem está pagando é a choldra. É caridade com o chapéu da escumalha. Esta coluna está à disposição para ser patrocinada pela OI. Shakespeareanamente! Nem precisa os 300. Só o suficiente para estocar mais comida e construir um bunker, porque o caos é inexorável!
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE II
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 23/07/2011.
ATÉ NA CLASSE EXECUTIVA É DIFÍCIL
Outro dia escrevi sobre um périplo de um voo que fiz entre POA-Belém. Ficou por isso mesmo. Mas, hoje, tem mais. Há tempos, em face de minha altura e minhas costas doloridas, procuro, em voos internacionais, andar de classe executiva, para escapar da classe econômica. Ali, falta só o remo e um chibateador (registre-se: em todas as cias. aéreas). Quando não tenho milhas para fazer up grade para a executiva, compro. Com os direitos autorais dos meus livros consigo pagar duas ou três passagens ida e volta aos EUA ou Europa. Caro. Para os meus padrões, muito caro. Mas minhas costas exigem esse sacrifício pecuniário.
O (DES)CONFORTO DOS PASSAGEIROS – ATÉ QUANDO?
Pois bem. Voo para os EUA. Um 767-300. Ele tem cinzeiros. Sim, ainda existe isso. Achei uma bagana de Hudson com ponteira (é uma metáfora, é claro). A TAM – foi com ela que fui – cobra uma fortuna e fornece poltronas na Classe Executiva desse 767-300 que reclinam um pouco mais dos bancos da saída de emergência. E, como sempre, ninguém – a não ser eu – reclama. Imaginem como é a classe econômica (de todas as companhias, quando o cara da frente reclina o banco, bate no seu nariz; quem tem varizes, então…). Quando é que as companhias aéreas darão mais espaço e conforto para os passageiros? Quando? Vejam: qualquer classe executiva possui poltronas que viram camas (aliás, os A-320 da TAM fazem isso – é uma maravilha). Mas esse 767-300… Vou pedir meu dinheiro de volta. Ah, vou. Comprei gato por lebre. O que sobra? Só uma coisa salva: a gentileza dos comissários de bordo. P.S.: chegará o dia quando o direito dos consumidores será respeitado. Passageiros de todo mundo: indignai-vos! Nada tendes a perder a não ser os vossos estoques de comida!
O CAPITALISMO DE PINDORAMA OU THE BUTIÁS FELL OUT OF MY POCKET
É de fancaria o capitalismo de terrae brasilis. Há tempos venho falando disso com o G. Vitorino, no Pampa na Tarde. Vejam: um Sonata (Hyundai) importado da Coréia sai nos EUA por 21 mil dólares (é o que vale um carro choldréu no Brasil, sem air bag e sem câmbio automático). Engraçado: no Brasil, o mesmo carro sai por 71 mil dólares. Uau! The butiás fell out of my pocket (os butiás caíram do meu bolso!) Para galhofar um pouquinho com os “granfinos” nativos (que gostam de esnobar seus “carrões”): a maior parte dos carros que em Pindorama parecem “chiques”, nos EUA é populus. Mas será que é só o valor do imposto que faz a diferença? Vitorino: ajude-me! Grand Cherokee, ano 2011, por 31 mil dólares; em Pindorama, nem vou dizer. Mais: vinho argentino Alamos Malbec, 8,99 dólares; no Brasil, mais de 30 dólares; Catena por 19,89 dólares; já no Brasil… O sanduíche do Mc Donalds no Brasil custa 60% a mais do nos EUA… Gasolina: a nossa é 62% mais cara. O que está acontecendo em Pindorama? Indignai-vos! E estoquem comida. Mas não estoquem vinho. É muito caro.
ESTROINANDO COM O POVO
E que tal a votação da lei 12.403? Sim, falo (de novo) da lei que exige “pistolão” para que alguém do “andar de cima” vá preso. É mais fácil um aluno rodar na Faculdade de Direito que um nababo ser preso no Brasil… (estou sendo sarcástico). Tenho frouxos de riso quando penso nas votações “simbólicas” do parlamento. Os deputados gostam de estroinar com o povo. Nossos parlamentares quedaram-se silentes na votação da lei 12.403. Portanto, ficaram a favor. Aposto que os assaltantes do hotel do Rio e os que explodiram bancos no RS foram beneficiados pela Lei. E os deputados falam contra a impunidade… Pensei: como teria votado o Dep. Enio Bacci? Gosto do Bacci. Penso: ao contrário da Manuela, que concorda com a lei, ele não concorda(ria) com essa lei. Mas a votação foi simbólica… Até tu, Bacci!
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INDIGNAI-VOS E ESTOCAI COMIDA – PARTE I
Coluna publicada no Jornal O Sul (Rio Grande do Sul), em 09/07/2011.
A PERDA DO PUDOR
As companhias aéreas – e o sistema Anac-Infraero – perderam o pudor. O direito do consumidor só existe no papel. Hoje vou falar apenas da TAM. Aeronaves desconfortáveis que cortam os céus do Brasil. Bancos apertados. Viagens que arrebentam o traseiro e as costas do vivente. Dia destes, fui a Belém. Acordei às seis horas. O voo só saiu às 16h. Da GOL fui transferido para a TAM. Culpa do tempo, disseram. Conexão em SP, uma zona. Rodoviária de quinta. Uma choldra formando filas. Maioria dos voos atrasados. E ninguém reclama. Uma senhora desmaia. E junta mais gente. Parece que parte da população que passou a andar de avião (prosperidade), e paga a passagem em dez vezes, considera-se abençoada e grata pelo simples fato de poder voar. E aceita ser chicoteada. Como bois no brete. E aquele “gritedo” dos alto-falantes, trocando de portão, comunicando atraso etc. O voo para Belém sai com uma 1h e 45min de atraso. Todo mundo amontoado. Viagem longa. Chegada: duas horas da manhã. E o que servem de jantar? Um cachorro quente vagabundo. Sequer pedem desculpas pelo atraso. Resumo da ópera: as Cias. “fazem um monte” (sic) para os usuários. Quando o cara do banco da frente reclina, bate no seu nariz. E os voos estão cheios. Vamos fazer a Copa do Mundo. Infraero, Anac. Maravilha.
PÂNDEGAS E GALHOFAS
Indignação? Difícil. Vida de gado, sim. O funcionário da Anac debocha. O da Infraero só falta fazer pilhéria. O da Cia. aérea mente descaradamente sobre horários e conexões. O controle de raio X é terceirizado. Somos pândegos. E galhofeiros. Viva a Copa. Estádios em Manaus, Cuiabá, Natal, Fortaleza, SP, cada um custando uns 500 milhões; Maracanã e Mineirão: 1 bi e 700 mi. E a choldra se queda silente. Faz longas filas. E o BNDES vai adoçar o Pão de Açúcar com 4 bi. Não há leitos disponíveis nos hospitais. O povo toma soro em pé. Mas o TSE informa que agora a votação será digital. Ufa! Legal! Desculpem-me. As tropelias do meu voo pela TAM nada tem a ver com isso. Ou, pensando bem, tem, sim. Tudo está entrelaçado. Indignemo-nos. Ou compremos mais passagens aéreas. E ganhemos cachorros-quentes e um refri. Deveríamos convidar o Min. Jobim, que tem mais de um metro e noventa de altura, a viajar em voos comerciais (embora ele já não viaje mais com a escumalha). Não foi ele quem reclamou dos espaços entre os bancos? Tenho que farfalhar. Com frouxos de riso…! Enquanto isso, volto a estocar comida!
A “VOTAÇÃO” DA NOVA LEI DAS PRISÕES
Descobri! A mais que polêmica Lei que facilita a vida dos criminosos (mormente os do “andar de cima”), cuja motivação foi a de desafogar os presídios (aí não precisam construir novos, certo?) foi aprovada por VOTAÇÃO SIMBÓLICA. Liguei para a Câmara e Senado. Nos gabinetes, ninguém soube informar como o deputado votou. E as atas de votação nada dizem. Únicos que assumiram a autoria: Sen. Simon e Dep. Manuela. São (foram) a favor. Pronto: eleitores de todo o Rio Grande, cobrem essa “votação simbólica” dos parlamentares. Ou que se expliquem porque foram a favor. Ou fujam para um lugar seguro. Mas não esqueçam de estocar alimentos. PS: quando o seu deputado/senador falar contra a impunidade, pergunte-lhe como foi seu voto na Lei 12.403!
O “NASCIMENTO” DE UM GÊNIO DAS FINANÇAS
Incrível o caso do Ministério dos Transportes. E que tal o menino prodígio multiplicador de dinheiro? O nome da firma do filho do Ministro é VERBA LIFE. O slogan é igual ao do Palocci: QUER ENRIQUECER? PERGUNTE-ME COMO! Entenderam?